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  • Henrique Correia

Os desafios e os riscos de Calado e Albuquerque


Esta aposta em Calado é do tudo ou nada. Com tudo aquilo que o tudo e o nada significam para os protagonistas (Pedro Calado e Miguel Albuquerque).



Foto Lusa


Pedro Calado sai esta segunda-feira do Governo de Miguel Albuquerque, onde era vice presidente. É a primeira alteração governamental deste Governo. Dizem que sai por missão, por um valor mais alto, que tem a ver com o próprio futuro do partido a que sempre pertenceu e que agora dá a "mão" ao CDS neste desafio de reconquista da Câmara do Funchal. Até neste caso de dar a mão, não se sabe bem quem é que dá a mão a quem, nem quem sairá mais beneficiado com esta aliança governamental com "vestes" autárquicas.

A saída de Pedro Calado do Governo é um risco, em primeiro lugar para o próprio Calado, que tem trabalho feito neste Executivo, além de o ter estabilizado, deixando uma certeza do seu desempenho para uma incerteza da consulta popular, num desafio difícil e cuja vitória não é um dado adquirido. Em segundo lugar, é um risco para o Governo, onde Calado era um elemento determinante, para mais num momento em que a Madeira deveria dar uma imagem de estabilidade na pasta das Finanças, em função da aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência, além de outras decisões deveras relevantes para o futuro, como o próximo quadro comunitário de apoio. É verdade que o novo titular das Finanças, Rogério Gouveia, está dentro dos dossiers, mas como qualquer novo secretário precisará de tempo para mostrar que a equipa vai jogar tão bem com o adjunto como jogava com o treinador. Mesmo que este possa dar algumas "taticas" pelo telefone.

Calado sabe os riscos que corre. Albuquerque também. Se Calado ganhar a Câmara do Funchal, é uma questão de tempo para se posicionar num trajeto vencedor à liderança do PSD Madeira. Se perder, a possibilidade de perder tudo, politicamente, é muito grande, uma vez que sairá deste processo com uma imagem de derrotado, desbaratando, se for esse o caso, o capital adquirido na governação. A política tem desafios e tem riscos, não de cargos, porque de uma forma ou de outra terá assegurada posição, no público ou no privado, mas na dimensão política, onde uma derrota custa caro.

Miguel Albuquerque não quer eternizar-se na liderança do partido e do Governo, mas esta realidade autárquica pode trazer-lhe vários problemas seja com que resultado for. Se Calado ganhar, Albuquerque tem a liderança em perigo. Se Calado perder, está em perigo pela estratégia de desfalcar o Governo e perder a Câmara. Pode resultar em algumas cobranças internas.

É por isso que as eleições de 26 de setembro são tão importantes para o PSD Madeira. Esta aposta em Calado é do tudo ou nada. Com tudo aquilo que o tudo e o nada significam para os protagonistas.

Calado tanto pode ficar a falar sozinho, como deixar Albuquerque a falar sozinho. Por isso é que nestas eleições, joga-se muito mais do que uma presidência de Câmara.


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