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Os ministros "invisíveis" do (fraco) governo de Montenegro

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • há 3 minutos
  • 3 min de leitura

Com pouca retórica, muita objetividade e pouca burocracia, os políticos não se sabem mexer. Depois queixam-se da revolta do povo. Pudera...





Em 2017, Montenegro criticava o Governo de António Costa de inércia no combate aos incêndios, o mesmo aconteceu nas cheias de 2022. Então, na oposição, o atual líder do PSD e do Governo disse o que hoje dizem de si. A Política a funcionar como é e como sempre foi: a partidocracia sobrepõe-se ao interesse nacional.

Hoje, nos efeitos dos temporais, é o próprio Luís Montenegro quem está sob fogo, mas na qualidade de primeiro-ministro, uma espécie de "boomerang" político que o coloca no centro das atenções negativas, situação agravada por um conjunto fraco de ministros, com destaque, por baixo, para a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, o ministro adjunto Leitão Amaro, o ministro da Defesa Nuno Melo, e uns tantos que o povo nem se lembra do nome de tanto trabalho "invisível" que fazem.

Portugal tem um Governo fraco, todos os governos registaram ministros fracos, mas agora é o Governo que é fraco no seu quase todo, o que se traduz numa visibilidade maior dessa insuficiência quando há tragédias, quando é preciso atuar, quando é preciso falar e não há dotes para isso, uma nulidade por vezes confrangedora, a exigir medidas urgentes de substituição. Um ministro não pode ser um apêndice do primeiro-ministro, não pode ser uma "jarra", como tem sido a ministra de uma pasta tão importante como a Administração Interna, nada de pessoal, pode ser muito competente, é mesmo falta de perfil para comunicar. Fala pouco, não é objetiva, agarra-se a frases feitas, não responde às perguntas, fica incomodada, foi um desastre a sua aparição pública nesta crise do mau tempo.

É verdade que nem todos têm os padrões exigíveis para um cargo político. É verdade que o PSD esteve muitos anos fora do Poder, e com isso ocorreu uma ausência de quadros que a permanência no Poder traz, mas a ausência do Poder tira. Montenegro fez o que lhe foi possível, mas pior acho que era impossível com este cenário governativo de figuras de pouco peso e, por norma, sem resolver efetivamente os problemas. E mesmo aqueles que, aparentemente, são menos maus, como Miranda Sarmento, têm dado alguns "tiros nos pés", como aconteceu relativamente ao Modelo de Mobilidade, em que entrou em contradição com outro ministro, Pinto Luz, demonstrando desconhecer o conteúdo de uma proposta que até era do Governo. Inconcebível para quem deve estar preparado para um determinado assunto.

Outro ministro que prejudica mais do que ajuda é Leitão Amaro, porta voz de voz "grossa", mas com um ego que não cabe em si. Fez uma publicação de uma reunião de trabalho, publicou nas redes sociais, como se fosse notícia que o ministro está a falar ao telefone ou que está sentado a uma mesa quando as pessoas estão desesperadas, sem luz em casa, sem telhas, muitos sem nada. E nem se duvida que estivesse a trabalhar, a necessidade de expor esse trabalho é que foi excessiva e reveladora.

Finalmente, Nuno Melo. Que falta de jeito tem o líder do CDS na qualidade de ministro da Defesa. Mete os pés pelas mãos, chega ao centro da crise e os militates montam a tenda para recebê-lo. Assim que acaba o discurso enrolado, os mesmos militares desmontam a tenda e abandonam o local. Isto é gozar com as pessoas, é brincar aos Governos privilegiando o espectáculo à ajuda efetiva, imediata, sem muita conversa e pouca burocracia.

Mas com pouca retórica, muita objetividade e pouca burocracia, os políticos não se sabem mexer.

Depois queixam-se da revolta do povo. Pudera...




 
 
 

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