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Os pais dos "Ronaldos"...

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
11 de mai. de 2023
2 min de leitura


Estamos a formar como? Para quê? Quantos miúdos já apresentam um comportamento irracional em campo e já fazem como os pais, chamam nomes aos árbitros e pressionam treinadores e adversários?





Tenho duas filhas, uma até tinha bom toque de bola, mas como diz o povo tirei logo o "cavalinho da chuva" quanto a vir a ser um "Pai de Ronaldo". Com meninos, ainda havia aquele "sonho", nunca pensei nisso, nunca senti essa necessidade do menino jogador de bola, que, por norma, pelo se ouve falar e vê nos campos de futebol, normalmente dá "pesadelo", para o próprio filho, para as famílias, para o futebol, para a sociedade.

Vem isto a propósito de um texto que circula nas redes sociais, que mesmo correndo o risco de não corresponder a um caso específico real, acaba por traduzir um pouco da realidade nos campos de futebol da Região (acho que lá fora não será muito diferente, mas com esses males podemos bem) e remete-nos para uma reflexão, mais ou menos profunda, não importa, o que importa é refletir, sobre a formação, futebolística e humana das nossas crianças face ao mundo competitivo e face ao que são, desde há muito, desde que Ronaldo "apareceu", os que chamo de "Pais dos Ronaldos".

O texto, em síntese, dava conta da reação de um miúdo, talvez 7, 8 anos, perante a reação do pai num jogo de futebol do escalão de formação. O miúdo mostrava descontentamento porque o pai chamava nomes ao treinador, ao árbitro, aos pais dos miúdos da equipa adversária. O pai queria a vitória, queria que o filho jogasse no onze, queria o triunfo do sonho, no fundo estava um "Ronaldo" à espera. O filho, o miúdo, queria correr, estar com os amigos, divertir-se, ser ele próprio. Queria pouco para ser feliz.

Realmente, o universo do futebol de formação deve dar uma volta. Não é um problema novo, mas até onde for problema, ninguém de bom senso pode deixar passar estes comportamentos irrefletidos dos pais nos campos de futebol de formação. Afinal estamos a formar como? Para quê? Quantos miúdos já apresentam um comportamento irracional em campo e já fazem como os pais, chamam nomes aos árbitros e pressionam treinadores e adversários? Se temos estas atitudes dos pais, como queremos ter filhos diferentes? Queremos Ronaldos "à força" quando devíamos querer valores e formação pessoal para que os miúdos possam ser miúdos "à força", grandes onde quer que seja. E se vierem a ser Ronaldos, que sejam naturalmente bons, não porque os pais chamam nomes ao treinador e ao árbitro, mas porque os miúdos são bons pelo que são e pelo que fazem sendo o que são. Sobretudo olhando para o todo e não pela parte.

Às vezes, apelamos a uma juventude melhor e tantas vezes apontamos o dedo aos jovens pela carência de valores, determinação e sacrifício. Não está na altura, sem correr o perigo da generalização, de apelar a pais melhores?


 
 
 

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