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Os sem abrigo são cada vez mais jovens e as drogas sintéticas preocupam

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
7 de nov. de 2021
2 min de leitura

CASA encerrou duas semanas pela violência e pela Covid-19. Há preocupação pela segurança dos 150 voluntários.




Uma reportagem da RTP Madeira trouxe para reflexão o enquadramento dos sem abrigo no Funchal. A CASA, uma instituição de solidariedade social, encerrou duas semanas devido a situações de Covid-19 e a episódios de violência provocados por sem abrigo sob efeitos de drogas sintéticas, uma situação cada vez mais visível nesta faixa da população, que já tem um universo de 110 pessoas.

A CASA foi obrigada a fechar mas reabre com os seus responsáveis a manifestarem preocupação relativamente à segurança dos seus 150 voluntários que servem 55 refeições diárias.

Mas aquilo que deve merecer uma atenção muito particular tem a ver com o consumo de drogas sintéticas. Efetivamente, temos assistido a diversas situações relacionadas com o consumo desse tipo de drogas, de tal modo que além de colocar em perigo os próprios consumidores sem abrigo, já é motivo de apreensão por parte da população, que vem assustindo, às vezes em dias consecutivos, a episódios de indivíduos completamente descompensados, cujas atitudes são imprevisíveis.

É frequente termos situações de desacatos no Funchal, sendo que as áreas correspondentes à Zona Velha, Largo do Carmo e junto ao Anadia e zonas circundantes aquele espaço onde têm existido maior número de situações.

As autoridades, quer políticas, quer policiais, regem-se pelos números, maso cidadão comum sabe que os relatórios policiais e as avaliações estão longecde revelarem a realidade. Por uma razão muito simples: a grande maioria das situações, com cidadãos importunados e envolvendo até desacatos, não ficam registados em nenhum relatório, mas não é por isso que tranquiliza mais a população. As pessoas sabem que a situação é grave e querem que, tanto a Câmara do Funchal, como o Governo e a PSP, atuem dentro das suas preocupações e deixem uma certa "obsessão" pelos números que, tantas vezes, não são reais relativanente à dimensão da preocupação das pessoas.

Os responsáveis da CASA reconhecem que o trabalho era um antes da pandemia, mas é outro depois da pandemia. Há um processo que retrocedeu e que é preciso trabalhar. Falta um albergue que dê resposta ao abrigo sobretudo no inverno. A justificação espera apoio nesse sentido.

O relatório real é aquele que o cidadão vê e sente. E tanto o Governo, como Câmara e as autoridades policiais, conscientes da situação e das zonas mais sensíveis, não podem continuar agarradas a relatórios para dizer que a criminalidade baixou. Esses números valem para mostrar um resultado de melhoria que o cidadão não vê, sendo no entanto verdade que, nos últimos meses, voltamos a ver equipas da PSP em circulação pela cidade, até porque há uma maior mobilização de turismo fruto da retoma da atividade na Madeira.

Mas o problema é estrutural. É aproveitar a embalagem do presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, para intervir, como foi sua promessa, na solução dos sem abrigo, dando-lhes apoio, formação e trabalho. Poderá ser utópico, talvez seja. E as pessoas não pedem situações impossiveis. Mas intervenham o mais rápido possível com soluções práticas para dar segurança aos cidadãos.

 
 
 

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