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Padre José Luís diz que a "Diocese é um resort com vista mar"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
2 de ago.
2 min de leitura


"Um padre na Diocese do Funchal acorda como Pároco, almoça como Vigário Episcopal, à tarde é Presidente da Comissão para a Nova Evangelização..."





O padre José Luís Rodrigues tem sido uma voz crítica relativamente à Igreja Católica na Madeira, um modo de estar que não lhe traz amigos no seio das cúpulas, não obstante o apoio das bases nas respetivas paróquias por onde tem passado.

O Bispo fez recentemente uma nova "onda" de nomeações, como explicou "depois de consultado o conselho episcopal", admitindo que "a estas se hão-de seguir outras, consoante o permitir a disponibilidade de sacerdotes e de outros colaboradores diocesanos". Entre as nomeações está o padre Hugo Filipe Almada Gomes — Vice-chanceler da Cúria Diocesana, acumulando com as funções até agora desempenhadas de Pároco do Jardim do Mar (Nossa Senhora do Rosário), Paul do Mar (Santo Amaro) e Raposeira (Santo António de Lisboa). 

Para o padre José Luís Rodrigues  

"a Diocese do Funchal é um Resort com vista mar" e "se pensavam que o Vaticano era coisa grande com um Papa chamado de Leão, com cardeais, bispos e arcebispos paridos de todo o mundo e a Guarda Suíça, é porque nunca se detiveram nos Paços Episcopais do Funchal".

O sacerdote refere, no seu texto no Facebook, que "a estrutura dos últimos anos é tão simples e humilde que até o Espírito Santo anda perdido no organograma. Havemos o Chanceler, que não chancela só papéis. Mas havemos também que a providência providenciou um Vice-Chanceler, porque um chanceler sozinho era poucochinho para tanta chancela.

Mas escondido no fumo pode vir ainda o Chanceler-Adjunto do Vice-Chanceler para Assuntos de Chancelaria. Este ainda não existe, mas há de existir pelo andar da coisa. Depois temos o Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, o Vice-Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, o Coordenador do Departamento de Coordenação dos Coordenadores e o Assessor para a Assessoria das Coisas que Já Estão Assessoradas. Mas há também um Deão, para pôr os cabidos a varrerem a Rua do Cabido, que sita logo ali por detrás da Sé".

José Luís Rodrigues escreve que "quase ninguém tem só um cargo. Um padre na Diocese do Funchal acorda como Pároco, almoça como Vigário Episcopal, à tarde é Presidente da Comissão para a Nova Evangelização do carroço e à noite ainda é vogal da Confraria de qualquer coisa que ninguém sabe para que serve. É tanto título, tanto tacho, tanto tachinho, que se a Sé fosse enfiada na Igreja de São João Evangelista do Colégio, já podíamos fazer a recriação do Conclave sem sair do Largo do Município".

O padre discorre neste sentido crítico: "E o mais bonito é que é tudo feito com aquele espírito chamado de disponibilidade franciscana e sobrevalorização da obediência como requisito principal de santidade, para parecer que as coisas funcionam e são levadas a sério...No fundo, a minha Diocese do Funchal provou que o milagre da multiplicação dos pães ainda acontece. Só que agora não é com pão, mas com o a multiplicação dos cargos...Só posso estar feliz por esta grandeza santificadora".

 
 
 

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