Pensar a Autonomia para ultrapassar preconceitos e até o som dos cantos de sereia

É este o desafio que Francisco Gomes, antigo deputado na Região e na República, deixa num livro onde aponta que "a Autonomia da Madeira ainda está longe daquilo que é o desejável"

"Onde estaria a Madeira se não tivesse sido sujeita a quase seis séculos de tratamento colonial, materializado no abandono da sua população, na subjugação da sua dignidade e na espoliação desenfreada dos seus recursos financeiros e humanos?”
Esta questão é lançada no contexto do livro "Autonomia da Madeira: Definição, Origens, Evolução e Desafios’, da autoria de Francisco Gomes, que será apresentado na próxima quinta-feira, 29 de outubro, pelas 18 horas na Assembleia Legislativa Regional.
Salvaguardando a ausência de pendor partidário e priorizando a objetividade da análise, o autor é de opinião que " a Autonomia de que os madeirenses dispõem hoje em dia está ainda longe daquilo que é o mais desejável para o futuro do território", exultando os leitores a serem “intransigentes com as inverdades, as duplicidades e as esquematizações de quem recusa aceitar quem os madeirenses são, como o são e por onde querem ir.”
Acentua que "pelas suas características históricas, sociais, culturais e políticas, o processo autonómico decorre em evolução permanente, e, porque um estado democrático não deve recear a diferenciação que a Autonomia exige, cabe a cada um de nós pensar o tema da Autonomia e dar um contributo para ultrapassar as limitações, os preconceitos e até o som dos cantos de sereia que, nos dias que correm, têm tentado conter as legitimas aspirações dos madeirenses a uma Autonomia mais forte”, aponta o autor, que também já foi deputado, pelo PSD, na Assembleia Legislativa Regional e na Assembleia da República.

A obra foi baseada na tese de doutoramento defendida por Francisco Gomes na Universidade de Cádis
Nesta obra, Francisco Gomes aborda "a relação económica entre a Região e o Estado, evocando a dívida histórica da República para com os madeirenses, e sugere estratégias, incluindo a nível constitucional, para conquistar uma Autonomia mais ampla e profunda".
O livro "Autonomia da Madeira: Definição, Origens, Evolução e Desafios’ tem o prefácio de Alberto João Jardim, antigo presidente do Governo Regional e será apresentado por Guilherme Silva, presidente da Comissão Executiva dos 600 Anos e antigo deputado e vice-presidente da Assembleia da República. Já a ilustração da capa é da autoria de Margarida Jardim e reproduz um dos quadros da artista que está integrado na colecção ‘Revoltas e Motins na História da Madeira’.
Uma nota sobre a publicação refere que a mesma foi baseada na tese de doutoramento defendida por Francisco Gomes na Universidade de Cádis, a qual "recebeu a classificação máxima e a distinção Cum Laude, a mais elevada possível, da parte do painel de docentes avaliadores, oriundos de quatro universidades diferentes".



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