Pode ser que os casos nas escolas funcionem como um "despertador" para os "imunes"

Há um apelo a fazer aos jovens. Mais vale prevenir do que remediar.
Façam lá um intervalo nesse "mando no mundo e faço o que quero".

Estamos numa fase díficil da pandemia, por muito que se pretenda desvalorizar o que se está a passar e por muito que se ache um exagero qualquer medida que vise minimizar os riscos neste enquadramento de uma dita segunda vaga. Os números nacionais vêm aumentando, hoje há um novo recorde, daqueles que ninguém gosta de bater, mais 40 mortos e mais 4656 infetados, uma realidade que pode levar a medidas mais restritivas, o País entrou hoje em período de proibição de circular entre concelhos, até dia 3, mas amanhã, quando houver o conselho de ministros extraordinário, pode haver novidades em cercas sanitárias nos concelhos mais afetados. Uma nova emergência vem aí, não classificada como "estado", por ser uma fórmula já conhecida de "aperto" de tal ordem que não se sabe se o País se consegue resistir. É uma decisão que o Governo está a evitar tomar.
Na Região, informações quase seguidas, dão conta de casos em três escolas e entre trabalhadores da Câmara do Funchal. São os dois preocupantes, mas o das escolas faz refletir, faz pensar seriamente num contexto de grande complexidade, vasto, difícil de controlar, envolvendo uma faixa etária que, não sendo das mais atingidas do ponto de vista do número de mortos, pode vir a ser uma mola "explosiva" de contágio junto dos mais velhos. Os miúdos têm pais, têm avós, têm famílias, contactam com funcionários, com professores, com gente na rua, e bem sabemos como esses contactos são feitos, sem qualquer preocupação, numa inconsciência coletiva que não se compagina com as recomendações. Se analisarmos bem, os casos nas escolas nem surpreende para quem esteja minimamente atento, já podia ter sido mais cedo. A responsabilidade deve ser de todos, é um "chavão" paras os mais novos, coisas de velhos, coisas que não atingem, restrições que não alteram ajuntamentos, tão inconscientes como a dimensão das consequências. Quando é que vão perceber isso? Quando é que os pais, os avós e os conscientes vão assumir um papel interventivo para que as consequências não venham a ser bem piores? Mais do que nunca, é preciso atitude, de firmeza dos governos, de responsabilidade das populações e dentro destas estão todos, jovens e menos jovens, não pode haver faixas em normalidade neste contexto anormal ou, como é chamado, de "novo normal", até ver.
Chegámos a um momento decisivo. Não podemos vacilar. Sem dramatismos excessivos, mas conscientes que alguns procedimentos individuais podem contribuir para o coletivo. Neste caso, ser jovem não é sinónimo de irresponsabilidade. Neste caso, há um apelo a fazer aos jovens, aos que se julgam "imunes", na traquinice algumas vezes idiota da adolescência, que se suporta aflitivamente em condições normais, porque é uma coisa que passa e que é habitual em determinadas idades, mas que neste contexto pode trazer consequências que eles próprios, os jovens, poderão lamentar seriamente.
Mais vale prevenir do que remediar.
Façam lá um intervalo nesse "mando no mundo e faço o que quero".



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