Podemos prevenir 80% dos AVC e muitos podem ser tratados com eficácia

A afirmação é do médico Rafael Freitas, que sai da Unidade de AVC do SESARAM para a Direção da Medicina Interna. Novo coordenador da U-AVC é o médico Duarte Noronha

O médico Rafael Freitas, ex-coordenador da Unidade de AVC e agora diretor de Serviço de Medicina Interna.
O Serviço de Saúde da Região fez alterações recentes, de liderança, na unidade de AVC, com a entrada em funções de chefia do médico Duarte Noronha que veio ocupar as funções deixadas pelo clínico Rafael Freitas, que passa a liderar a Medicina Interna.
É precisamente este médico que acaba de sair da UAVC quem releva a importância daquela unidade "como centro de referência e garantia da qualidade e continuidade de cuidados, com intervenção a todos os níveis da cadeia de sobrevivência/tratamento do AVC, incluindo o tratamento, prevenção de complicações, recuperação e prevenção de recidivas".
Rafael Freitas avança, num texto misto de balanço do trabalho feito e de agradecimento pela confiança para o novo desafio, com números relacionados com os Acidentes Vasculares Cerebrais: "Sabemos que, 80% dos AVC’s são preveníveis, através da promoção de estilos de vida saudáveis, do reconhecimento e tratamento dos factores de risco vasculares, muitos são passíveis de tratamentos com a maior eficácia existente na actualidade em qualquer parte do mundo, como a trombólise precoce e a trombectomia, que estão disponíveis no SESARAM desde 2008 e 2017, respectivamente".

O médico Duartr Noronha é desde 1 de maio coordenador da U-AVC.

Arlinda Oliveira, Enfermeira Gestora da U-AVC.
Refere que "a recente e maior autonomização da UAVC, com dependência direta das direcções técnicas mais importantes do SESARAM, Direção Clínica e de Enfermagem, com mais camas para internamento, dos recursos técnicos e humanos, permite poder continuar a disponibilizar todas as atitudes com evidência científica comprovada e a um número de doentes cada vez maior, no sentido de corresponder ao “ Plano de Acção para o AVC na Europa 2018-2030”, patrocinado pelas maiores entidades europeias responsáveis pelo AVC, como a European Stroke Association (ESO) e a Stroke Alliance for Europe (SAFE).
Relativamente às novas funções, lembra que "a Medicina Interna é o maior e o mais importante serviço de qualquer unidade hospitalar, com interferência em todas as áreas clínicas, fazendo a gestão integrada dos problemas dos doentes, sendo a sua intervenção de alto rendimento e custo-efectiva, que tem tido um papel relevante na organização e prestação de cuidados para quase todas as patologias, como é exemplo recente a pandemia da COVID 19".
No que se prende com o novo coordenador da Unidade de AVC, Duarte Noronha, promete continuar a trabalhar em estreita colaboração com outras especialidades (Neurorradiologia, Medicina Física/Reabilitação e Neurocirurgia) que tanto têm contribuído para a qualidade do trabalho que tem sido desenvolvido.
"Procuraremos ter como objetivo a disponibilização dos tratamentos mais atuais, por forma a dar a melhor resposta possível aos pacientes da unidade de AVC, assim conseguiremos melhorar a qualidade de vida e reduzir as sequelas dos pacientes acometidos por esta patologia tão prevalente".
No mesmo espaço, o site do SESARAM, a enfermeira gestora da Unidade de AVC refere que "o AVC é uma doença complexa e multifatorial, que exige uma abordagem holística, abrangente e interativa de uma equipa interdisciplinar, sendo fundamental na recuperação do utente com AVC. Enquanto disciplina integrante desta equipa alargada, pretendemos continuar a prestar cuidados atualizados com base na melhor evidência científica, por enfermeiros com treino e experiência no cuidar.
O processo de recuperação é gradual e adequado às necessidades dos utentes, devendo integrar e envolver precocemente e sempre que possível o elemento que será o cuidador. Defendemos os cuidados de proximidade e centrados nos sobreviventes de AVC, familiares e cuidadores, o que implica intervenções para além da estrutura física da UAVC".
Deixa um olhar para o futuro "com melhores condições físicas de modo a consolidar a prestação de cuidados diferenciada no tratamento do AVC, no apoio dos familiares e no seguimento das vítimas, proporcionando o regresso à sociedade e minimizando os danos do impacto súbito de uma doença que pode deixar marcas visíveis e invisíveis".



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