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  • Henrique Correia

Porto Moniz em "dinheiro vivo"


Há situações que merecem, no mínimo, reflexão, não que vá resolver grande coisa, porque esta coisa dos apoios porta a porta já fez escola e tirou "mestrado".




Causou alguma estranheza, para utilizar uma expressão suave, aquela que foi uma espécie de denúncia feita pelo presidente da Câmara do Porto Moniz, do PS como se sabe, relativamente ao comportamento de Valter Correia, do PSD, vice presidente de uma Associação, a ADENORMA, ao serviço da qual andou de porta em porta a entregar "dinheiro vivo" correspondente, ao que disse, a apoios a pessoas idosas que estavam devidamente identificadas mas que não apresentaram números de contas bancárias.

Numa iniciativa/debate, organizada pelo JM, Emanuel Câmara questionou Valter Correia se teria sido em dinheiro vivo. Resposta: "sim, em dinheiro vivo, mas as pessoas assinaram um documento".

Não está em causa a legitimidade dos apoios nem vamos colocar em causa a honorabilidade das pessoas, até prova em contrário. Partimos, sempre, do princípio da boa vontade e da boa prática dentro da legalidade que a lei deixa em aberto. Mas há situações que merecem, no mínimo, reflexão, não que vá resolver grande coisa, porque esta coisa dos apoios porta a porta já fez escola e tirou "mestrado", mas pelo menos para que as pessoas, na generalidade possam ter alguma reserva nos procedimentos, mesmo que estes estejam dentro de uma qualquer lei que dê cobertura a certas imoralidades, seja de cor for, seja com quem for.

Não é novo este expediente, o que é nova é esta forma de legalizar as ilegalidades de outrora, através de mecanismos legalmente consagrados e que são explorados ao limite. E além disso, as associações, desde casas do povo e movimentos associativos que foram criados para suporte de mobilização local, embora representando uma base de apoio à população, com atividade acrescida, não há que escondê-lo, em ano de eleições, ganham particiular protagonismo, sobretudo em zonas onde as autarquias são de outra cor política.

Basta para isso ver os apoios que são canalizados para esses circuitos, este ano ainda mais a pretexto de uma pandemia que exige todos os esforços locais. Mas há um outro lado, também sabemos o que isso representa em termos autárquicos, onde nesta época de votos, as Câmaras parecem desafogadas financeiramente para tapar buracos de anos, asfaltar estradas em mau estado há que tempos e pelo meio uns cabazes que vão ajudando e lembrando quem deu. Não há "meninos do coro".

Agora, dinheiro vivo é outra coisa. Suscita dúvidas e julgo que a última coisa que queremos é mais dúvidas em política. Sim, política. Ou julgam que as associações que por aí andam não têm nada a ver com política?

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