Prada admite "porta entreaberta" com Lisboa socialista; e é para abrir mais

Não será fácil para o PSD Madeira fazer esta gestão de "estar a bem com Deus e com o Diabo". Ao lado de um PS negociador sem parecer estar contra um PSD com a oposição agressiva que deve ter.

As relações institucionais com a República já não são o que eram. Longe vão os tempos do contencioso das Autonomias, do tempo de Jardim, que ganhou e perdeu com essa fórmula do inimigo externo, mas também parece estar afastado este mais recente atrito com o Governo Central, com o argumento dos inúmeros incumprimentos com as pretensões da Madeira. A abstenção dos deputados do PSD Madeira no Orçamento de Estado, contra o sentido de voto da bancada social democrata, parece ter mudado o paradigma da relação. E há unanimidade dirigente, pelo menos os próximos de Miguel Albuquerque, que a postura de António Costa abriu portas importantes. Foi pouco, mas o pouco comparado com nada, é capaz de ser muito. Mas nunca fiando.
Hoje mesmo, no Diário, o secretário-geral do PSD-M dá expressão oficial sobre a forma como a estrutura regional vê, agora, as negociações com Lisboa. Com outros olhos, menos contenciosos. Mas não esconde um problema, que transforma numa oportunidade, que é a forma como o PSD-M vai gerir a relação mais cordata com o PS e a disciplina e lealdade com o novo PSD de Luís Montenegro, que por sua vez tem uma relação muito próxima com a estrutura regional depois de Miguel Albuquerque ter sido o seu mandatário nacional e de uma vitória folgada na Região. Não será fácil para o PSD Madeira fazer esta gestão, "estar a bem com Deus e com o Diabo". Como escreve Prada "a partida, estes dois momentos nada têm a ver um com o outro. E, efetivamente, não têm. A não ser o facto de traduzirem uma mudança e o princípio de um caminho que se espera positivo para a Região". Só o tempo dirá se é assim.
Prada diz que "sem criar falsas expetativas, a verdade é que é de registar esta abertura, lamentando-se, todavia, a demora que a mesma levou a fazer-se sentir. Ainda assim, nunca é tarde e aquilo que se espera, agora, em nome do interesse superior da Madeira, aquilo que verdadeiramente nos move, é a continuidade desta relação e resultados concretos tanto no próximo Orçamento para 2023, quanto em tudo o mais que extravase os ditos Orçamentos, mas que resulte do diálogo direto e da concertação institucional entre o Presidente do Governo Regional e o Primeiro-Ministro de Portugal".
O secretário-geral do PSD-M fala em "janela de oportunidades" e acrescenta que "estaremos aqui, disponíveis, prontos para a luta que nos carateriza mas cientes de que, agora, existe, ao que tudo indica e do lado de lá, uma porta entreaberta que queremos abrir ainda mais".
Para o PSD de Montenegro, Prada tem uma mensagem lembrando o espaço perdido para outros partidos, sem especificar quais, mas certamente entre eles estará o Chega: "Ganhamos todos se, a nível nacional e, ainda, no papel de Oposição, o PSD for capaz de liderar, com toda a força e recuperando o espaço que outros Partidos têm conseguido agarrar, uma função fiscalizadora daquilo que é o trabalho do Governo da República, dando ainda mais força e consistência a uma missão que tem, necessariamente, de ter outro conteúdo e forma".
Não será fácil para o PSD Madeira fazer esta gestão de "estar a bem com Deus e com o Diabo". Ao lado de um PS negociador sem parecer estar contra um PSD com a oposição agressiva que deve ter.



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