Precariedade deu cabo da profissão de jornalista

O estado a que chegou o exercicio da profissão, mesmo antes da pandemia, revela uma grande vulnerabilidade da classe face a poderes

A precariedade da profissão de jornalista agravada pela pandemia, revela um estudo
"O domicílio dos jornalistas substituiu as redações. O número dos profissionais que não faz reportagem aumentou. Uma percentagem significativa de jornalistas enfrentou, durante o Estado de Emergência, as consequências do lay-off e viu os seus rendimentos ou os do seu agregado familiar diminuírem. As expectativas sobre a profissão baixaram significativamente". Estas são algumas das conclusões do Estudo sobre os Efeitos do Estado de Emergência no Jornalismo no Contexto da Pandemia Covid-19, que inquiriu 890 jornalistas em Portugal, entre os dias 22 de maio e 8 de junho de 2020. Desenvolvida por investigadores do Centro de Administração de Políticas Públicas e do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra, esta pesquisa foi realizada numa parceria com a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), o Sindicato dos Jornalistas (SJ) e a Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. O estudo, que incide no espaço continental, indica, ainda, que a crise sanitária aumentou as preocupações com princípios deontológicos, como o rigor da informação. A tendência de precarização e a crise dos média agudizaram-se. Efetivamente, o estado a que chegou o exercicio da profissão, mesmo antes da pandemia, revela uma grande vulnerabilidade da classe face a poderes que aumentaram a sua influência. A pandemia só acrescentou défice. Na Madeira, o problema só não é tão grave do ponto de vista da empregabilidade devido à intervenção indireta do Governo, através de diferentes mecanismos. Os órgãos de comunicação social não podem sobreviver das vendas, que decrescem a cada dia, nem a publicidade é suficiente atendendo ao mercado curto. E a iniciativa privada, em termos de dinheiro investido, não é o que se possa pensar. Daí a necessidade de ajudas oficiais, legais em diferentes situações, sob multiplas engenharias de eventuais prestações de serviço, ainda que algumas discutíveis do ponto de vista da gestão governativa. Mas isso são outras contas.



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