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Presidente da Assembleia: "Nunca se deixem estatizar por qualquer subsídio"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
25 de nov. de 2022
3 min de leitura

Os tempos que aí vêm "serão muito difíceis para muitos cidadãos e famílias que não dispõem de recursos para fazer face ao aumento galopante dos preços.




O presidente da Assembleia Regional também não tem bons vaticinios para os próximos tempos. E por isso, considera importante o papel desempenhado pelas instituições particulares de solidariedade social. Mas faz um alerta, estando no conselho geral da Cáritas, para a necessidade de não comprometer as instituições com os subsídios.

Não obstante incluir a coligação que suporta o Governo, José Manuel Rodrigues não fica inibido para dizer isto: "Sou daqueles que defendem um reforço do pilar social da economia e de mais incentivos aos agentes das IPSS e das Misericórdias, não apenas como um complemento do público, mas como um setor autónomo que pode e deve prestar serviço público em nome do Estado. Mas permitam-me que vos diga: nunca abdiquem da vossa autonomia em troca de qualquer dependência financeira; nunca se deixem estatizar por qualquer subsídio; nunca deixem de ser a emanação das sociedades onde têm origem; nunca se esqueçam de dar esperança ao sofrimento; nunca se esqueçam da bem-aventurança da vossa criação". Fica o alerta.

José Manuel Rodrigues disse que os tempos que aí vêm "serão muito difíceis para muitos cidadãos e famílias que não dispõem de recursos para fazer face ao aumento galopante dos preços e para satisfazer as suas necessidades básicas, e é certo que, mais uma vez, as Instituições de cariz social serão as primeiras a serem chamadas a intervir, para minimizar o impacto desta mistura explosiva entre inflação e estagnação, senão mesmo de recessão económica". Foram declarações no Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, que decorre no Funchal e onde o líder da ALRAM falou sobre a temática “A Importância das Organizações Sociais”.

"O envelhecimento da população, as sequelas da pandemia, a tendência para mais casos de doenças mentais, o aumento das toxicodependências nos jovens, em particular as adições a novas substâncias psicoativas e digitais, as ansiedades e turbulências da guerra em curso na Europa, bem como as consequências da atual crise inflacionária e da subida dos juros, exigem das vossas instituições novas respostas e um trabalho redobrado em prol dos que vão ficando para trás, na voragem dos acontecimentos".

José Manuel Rodrigues disse que "no nosso país, a crise de resposta dos Serviços de Saúde, que já não conseguem oferecer bons e atempados cuidados às mães e às famílias que ainda vão decidindo ter filhos; as longas listas de espera para uma cirurgia nos nossos hospitais; os idosos abandonados em camas hospitalares por famílias desumanas ou sem condições para os acolher; as dificuldades dos casais jovens no acesso à habitação e a emprego estável; a manutenção de níveis de pobreza acentuados, que nos deviam envergonhar, são sinais reveladores de que o Estado falhou nas políticas públicas postas em prática nas últimas décadas".

José Manuel Rodrigues lança várias questões:


Pensemos sobre a nossa realidade insular:

O que seria da Educação na Madeira sem a existência das inúmeras escolas católicas?


O que seria da proteção das crianças e dos idosos sem as creches e os lares das IPSS?


O que seria da ajuda e cuidados às pessoas com deficiência sem as Instituições de Solidariedade da Igreja?


O que seria o apoio aos mais carenciados sem o contributo dos voluntários das Confrarias e da Cáritas?


O que seria do socorro e do apoio aos doentes sem a ação de tantas instituições de cariz cristão?


O que seria da Saúde nas ilhas sem o trabalho das Congregações e das casas de Saúde Mental sob a sua orientação?

 
 
 

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