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Previsões apontam entre 14 e 17% o desemprego na Madeira em 2021

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
19 de set. de 2020
4 min de leitura

Plano 20/30 revela "quebra de rendimentos com efeitos negativos em cadeia dando origem a elevados níveis de pobreza e exclusão social" na Região



O Plano de Desenvolvimento Económico da Região 2020/2030 elenca um conjunto de situações resultantes da crise pandémica em que vivemos, com reflexos inevitáveis na quebra económica e no mercado de emprego, sendo que as previsões para os níveis de desemprego apontam para um espaço entre 14 e 17% em 2021. Previsões que vão, também, para um "aumento do desemprego e das situações de inatividade por desencorajamento; prolongamento da duração do desemprego, sobretudo para segmentos com maior dificuldade de reintegração no mercado de trabalho; diminuição das renumerações; aumento da emigração, com agravamento dos índices de envelhecimento e dos níveis de qualificação; e crescimento de encargos com as prestações sociais, com impacto negativo no Orçamento da Segurança Social)".

O documento aborda a quebra dos rendimentos (fruto do desemprego, situações de layoff, quebra de atividades informais, ...), com efeitos negativos em cadeia (quebra de consumo privado, incumprimento de encargos de habitação (rendas, mensalidades de créditos) e de empréstimos vários", bem como dando origem a "elevados níveis de pobreza e exclusão social (a rondar os 30% da população residente em 2019, que se deverão aumentar no contexto da crise) que revelam tendência a agravar-se estabelecendo uma pressão adicional sobre os mecanismos de proteção social e também sobre as capacidades de resposta a situações de carência alimentar".

Da análise efetuada aos números do desemprego desde abril, o Plano refere que "temos verificado que estes têm vindo a crescer de mês para mês, o que torna preocupante o impacto progressivo do COVID19 no mercado de trabalho. Não foi só o impacto repentino, mas verifica-se que muitas empresas, apesar dos apoios que recebem, não estão a conseguir manter a atividade e a suster o emprego. Os dados publicados pelo IEM e relativos a junho de 2020, apontam que o número de desempregados inscritos cresceu 3,5% face ao mês precedente (que por sua vez já tinha crescido 6%) e 19,2% em termos homólogos. Ainda de acordo com os dados do IEM, os efeitos da pandemia também se observam noutras variáveis do mercado de trabalho, como por exemplo: - Nas inscrições de desempregados ao longo do mês, em maio registou-se um aumento de +50,6%, comparativamente a abril de 2020 e +39,7% em termos homólogos. Em junho, apesar de ter existido uma redução de 13,2%, em relação a maio, verificamos uma variação homologa muito elevada, na ordem dos 43,2%; - Na oferta de emprego captada ao longo do mês: em maio a oferta caiu 71,9%, em relação ao ano anterior, pese embora tenha já existido alguma retoma das atividades, provocando um aumento de 231,0% face a abril deste ano. Em junho, o aumento da oferta relativamente a maio, foi de apenas 5,2% e, analisando o período homologo, registou-se uma quebra de 47,9%; - Nos desempregados inseridos no mercado de trabalho ao longo do mês de maio verificouse uma redução de 45,1% em termos homólogos e uma variação positiva 36,8% face a abril de 2020, mês em que quase toda a atividade económica esteve parada".

Ocorre, assim, um agravamento do cenário macroeconómico da Região, com acentuada quebra em 2020 dos principais indicadores, tais como, o PIB com uma taxa de -20,4%, o consumo privado com uma redução de 9,6% e uma forte contração das exportações em 73,6% fruto do peso do turismo. Em vários setores de intervenção das politicas públicas regionais

O surto pandémico COVID-19, revela a avaliação, "expôs a vulnerabilidade da região aos mercados externos, com efeitos imediatos no setor do turismo. Foi sentida uma quebra abrupta nas atividades turísticas, associada à restrição das deslocações e suspensão/redução das ligações aéreas: no 1º trimestre de 2020 foi verificada uma redução de 16.1% no total de ligações da região, sendo que a partir de 31 de março, o Governo Regional da Madeira passou a limitar os desembarques no aeroporto Cristiano Ronaldo a um máximo de 100 passageiros por semana. Também no porto do Funchal foi registada uma quebra imediata de 27% no número de passageiros (entre janeiro e fevereiro) e de 51% no número de escalas (entre janeiro e maio), face aos homólogos. Este impacto traduziu-se na redução do número de dormidas na Região. As primeiras estimativas do INE, para março de 2020, apontavam para uma variação negativa de 51%, em comparação com o mês homólogo em 2019. Em abril e maio o número de dormidas representou cerca menos de 1% do valor registado em nos meses homólogos do ano anterior".

O Plano, que foi apresentado pelo vice presidente Pedro Calado, "encerra em si um conjunto de orientações cruciais para o novo ciclo que a Região já iniciou em 2015 e que agora pretende consolidar nos vários domínios do desenvolvimento regional, nomeadamente através de novos ciclos económicos, baseados na informatização, na digitalização, na inovação, nas competências, com o objetivo de fazer reduzir o peso no PIB regional dos setores da construção e do turismo e de abrir caminho para a aposta em novas áreas do conhecimento, como a economia azul e a investigação e desenvolvimento (I&D)".

 
 
 

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