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Primeiro relatório dos anos 70 "chumbou" helicóptero; Lino Miguel mandou fazer

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
15 de jul. de 2022
2 min de leitura

Encomenda foi feita pelo então ministro da República que tinha a tutela da Proteção Civil. O autor foi Luís Esteves Araújo, piloto-aviador da Força Aérea.




A utilização do helicóptero no combate aos incêndios, na Madeira, sempre foi uma questão polémica durante os governos de Alberto João Jardim, que no figurino ao seu estilo, desde logo assumiu que o recurso a esse meio estava fora de questão atendendo à incompatibilidade de manobrar o aparelho face à origrafua da ilha.

Claro que, anos depois, já em governos de Miguel Albuquerque, essa teoria caiu por terra e a verdade é que não só a Madeira passou a operar com um helicóptero de combate a incêndios florestais, como a sua utilidade está mais do que comprovada com a mesma orografia da ilha, considerando-se uma peça importante no âmbito do Plano Operacional de Combate, o POCIF, a expensas do Governo Regional.

Mas a verdade histórica do problema retrata que o primeiro estudo nesse sentido data de finais dos anos 70, em contexto do primeiro governo de Jardim mas sem qualquer interferência desse Governo una vez que o estudo foi encomendado pela tutela da Proteção Civil, então sob comando do então ministro da República para a Madeira, general Lino Miguel. Essa avaliação foi mandada fazer e o autor do trabalho foi então um jovem Piloto-Aviador da Força Aérea que no final da sua carreira chegou ao mais alto grau das forças armadas - Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas. Falamos do General Luís Esteves Araújo.

O parecer relativamente à utilização do helicóptero foi negativo, considerando não ser possível combater os incêndios por meios aéreos e uma das razões apontadas prendia-se com ventos que se formavam em diversos pontos da Região.

A “encomenda” desse estudo foi recordada, em 2012, por ocasião dos grandes incêndios, pelo então presidente de câmara do Funchal, Professor Virgilio Pereira, já falecido.

A verdade é que este relatório fez "escola" nos anos seguintes, sendo que outras avaliações feitas já durante a regionalização do serviço, no âmbito da Direção de Florestas, revelaram-se no mesmo sentido, pelo que o peso e as dúvidas que sempre se colocaram face a essas decisões acabaram pir "cair" sobre os ombros de Jardim, ainda hoje carregando com essa má decisão.

Por essas razões, Alberto João Jardim não perdoa o facto deste Governo de Albuquerque, particularmente alguns protagonistas, do mesmo PSD, não defendam verdadeiramente as decisões do passado e deixem "correr" a mensagem deste erro cometido pela governação de Jardim relativamente ao uso, ou a falta dele, do helicóptero no combate a incêndios.

Daí Jardim ter lembrado nas suas páginas do Twitter e Facebook, como já fizemos alusão numa outra peça, que "relatórios técnicos de então, desaconselharam o

helicóptero. E, para mim, a vida humana é prioritária, ao contrário de na Oposição, ao que parece. Devia responder o PSD, não o faz".

De referir, ainda, que era intenção do atual Representante da República, Ireneu Barreto, atualizar esse estudo do tempo de Lino Miguel, tendo manifestado essa ideia em 2012: "Como esse estudo tem cerca de quatro décadas, pretendo promover agora, com o auxílio das autoridades competentes, uma atualização dessa análise para vermos se é objetivamente apropriado e efetivamente eficaz o uso desses meios na Madeira".



 
 
 

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