Próximos meses dolorosos com risco de rompermos partes do nosso tecido social

José Manuel Rodrigues realça esforço do Governo mas diz que "a burocracia fez demorar, adiar ou mesmo anular muitos dos prometidos apoios"

O presidente da Assembleia Regional apontou hoje, nas Jornadas Madeira 2020, do JM, várias situações resultantes da pandemia, na Região, como determinantes para que sejam alterados alguns modelos de desenvolvimento, sobretudo aos níveis do Turismo e da Construção Civil. E lançou preocupações, que não sendo novas, colocam o chamado "dedo na ferida". As consequências sociais voltaram a ser alvo da intervenção de José Manuel Rodrigues, que deu enfoque ao futuro a esse nível, não augurando nada de bom em termos de dificuldades e pobreza. Com riscos, entre eles o de perdermos partes do nosso tecido social.
O líder do Parlamento fala na “paralisação económica" que "está a provocar uma pandemia social e os próximos meses vão ser particularmente dolorosos para muitos madeirenses que perderam o emprego, os que trabalhando por conta própria não têm trabalho, ou estão em layoff e viram os seus vencimentos reduzidos, outros que não conseguiram segurar os negócios familiares e entraram em insolvência ou então os que estavam na economia informal e agora não têm qualquer suporte e apoio para as suas despesas". Um foco que tem sido recorrente nas intervenções públicas de José Manuel Rodrigues e que, sem dúvida, aponta o dedo a uma realidade dos tempos que aí vêm e que, verdadeiramente, irão marcar novo período de crise.
Salvaguarda, para ninguém ficar mal, que "é verdade que os governos e os Municípios foram rápidos nas respostas a muitas destas situações", mas também diz que "é igualmente certo que a burocracia fez demorar, adiar ou mesmo anular muitos dos prometidos apoios".
Fala no Fundo de Emergência para Apoio Social e o Fundo de Apoio Regional a Organizações Locais, bem como outros governamentais já existentes, como o Rendimento Social de Inserção ou medidas como os programas Ocupacionais de Trabalho e os Estágios Profissionais, complementados pelos programas municipais, como sendo "decisivos para atender às necessidades sociais das famílias”.
José Manuel Rodrigues destaca também “o intenso trabalho que o Governo Regional tem vindo a desenvolver e os recursos financeiros que tem disponibilizado para acudir aos problemas de desemprego, de perda de rendimento, do layoff, de privação alimentar, de pobreza e de exclusão de muitas famílias, originados pela pandemia.
"Mas tenhamos consciência de que não chega e que vamos ter pela frente meses dolorosos em que vai ser necessário estarmos muito atentos ao que se passa na nossa sociedade, sob pena de rompermos partes do nosso tecido social".
Para o presidente da Assembleia é a oportunidade de "repensar o nosso modelo de desenvolvimento, dependente, excessivamente, do turismo e da construção e uma oportunidade para lançarmos as bases de uma sociedade mais equilibrada, com melhor redistribuição dos recursos e da riqueza”.



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