PS absteve-se no Orçamento mas Iglesias "arrasa" Calado: "Ponta de lança de uma rede clientelar"

"Único objetivo é espremer o orçamento regional na direção de vários negócios e sectores"

Quem lesse o que o líder parlamentar do PS Madeira escreveu no Facebook, sem ter em conta a votação no Parlamento sobre o Orçamento e Plano, poderia equivocar-se quanto ao sentido de voto socialista, que como se sabe absteve-se nos dois documentos.
Mas Miguel Iglesias, apesar da abstenção do seu partido, que dá o benefício da dúvida ao Governo, "desanca" em Pedro Calado, o vice presidente do Executivo, embora sem falar em nomes, mas com uma imagem que vale por mil palavras. Como as boas imagens. Já ontem, o parlamentar socialista acusou Calado de mentir nas taxas portuárias, um sinal que manteve durante o debate sobre os documentos que podem não ter agradado de todo, mas que não terão desagradado de todo, a avaliar naturalmente pela abstenção.
Só que Iglesias não fez por menos, pode ter dado o tal benefício da dúvida ao Orçamento, mas não deu um milímetro ao homem que elabora o Orçamento, pela forma como fez este orçamento e pelo conteúdo a ele dado. A ele, Orçamento: "Único objetivo é espremer o orçamento regional na direção de vários negócios e sectores".
Esta declaração era coisa para um voto contra "chapado" do PS para não ficar à margem de uma acusação destas e não "colaborar" com um orçamento regional espremido "na direção de vários negócios e sectores". Juntando esta a outras acusações, por estes dias, era contra e não se falava mais nisso.
Iglesias escreve que "o representante dos grandes interesses empresariais no Governo Regional está bem identificado.
Depois de ter deixado a Câmara do Funchal de pantanas, com uma dívida astronómica de 100 Milhões de Euros e arrastada por 3 planos de resgate do Estado para poder pagar salários e fornecedores, é agora o ponta de lança de uma rede clientelar cujo único objetivo é espremer o orçamento regional na direção de vários negócios e sectores, trabalhando não para quem o elegeu mas para quem o empregou.
Na discussão do orçamento mentiu, omitiu e manipulou informação como quis e lhe apeteceu. O problema é que tem agora quem o fiscaliza e escrutina, e não vamos descansar enquanto não derrubarmos este sistema que é um dos grandes bloqueios ao desenvolvimento pleno da Região Autónoma da Madeira".
O líder Paulo Cafôfo já veio afirmar que a abstenção foi um sentido de voto responsável num enquadramento de pandemia, o que se compreende. Chama-se sentido de Estado. Acontece que as acusações do líder parlamentar encerram, em si, um elevado grau de gravidade que, a bem da coerência, talvez aconselhasse ir mais longe. Ou então fazer a crítica com discurso mais moderado. Como diz o povo, para "dar a bota com a perdigota".



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