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PS Madeira volta ao estado normal: crise

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
28 de set. de 2021
2 min de leitura

Paulo Cafôfo, demissionário, "perdeu-se" com a quase vitória, deu tudo, não teve força para criar uma onda igual. Nem teve força nem teve PS-M.



O PS Madeira é realmente um caso de estudo. Um dia, para os estudiosos e pacientes, poderá dar alguma reflexão sobre o que realmente se passa na estrutura partidária regional, diferente, com caráter único, o que neste caso não é bom porque esse único é o modo quase permanente de crise. E quando não está em crise, inventa. Não precisa dos adversários para se definhar. Faz esse papel muito bem e vai deixando, pelo caminho, um rasto irreversível de "destruição" ao nivel da liderança partidária, nos muitos líderes que estão registados. Tirando os tempos em que o PS estava ali, no seu canto, com lideranças que faziam a sua "vidinha" enquanto Jardim governava, não fazendo grande mossa porque o poder demolidir jardinista não permitia, um argumento conveniente, todos os anos pós Jardim foram melhores mas insuficientes. O PS-M não está preparado, internamente, para ser poder regional. E é por isso que os líderes sofreram o que sofreram. Até Cafôfo, que a juntar a isso não teve a arte de escolher as pessoas contando que vinha de fora e o partido já existia. "Perdeu-se" com a quase vitória, deu tudo, não teve força para criar uma onda igual. Nem teve força, nem teve PS. E sem surpresas, também sem palco e com algumas inexperiências de discurso de outros protagonistas, acabou por perder aquele "fôlego" que criou na Câmara do Funchal e depois naquela quase vitória. Na oposição, fica difícil. Na oposição interna, muito pior. Era preciso escolher melhor e trabalhar mais, as notícias de jornais e as cumplicidades até podem aguentar a crítica, mas não aguentam eleitorado.

Mas esta demissão de Paulo Cafôfo, anunciada no final da noite eleitoral autárquica, foi muito além do resultado no Funchal, não tanto pelo resto, até manteve Ponta do Sol, Porto Moniz e Machico, mas muito mais pela pressão que deve ter sentido em função de ter falhado uma solução saída das suas "tropas" e não do "outro PS". Há muito mais por explicar nesta saída, que é digna atendendo ao que se passou, mas revela muito além do que está visível.

Veja-se que nem "arrefeceu" e já surgiram declarações no sentido de marcar terreno relativamente à nova liderança. Carlos Pereira podia ter esperado um pouco mais, já foi líder, sentiu-se injustiçado, está no seu direito, mas não devia ter pressa para se posicionar nem 24 horas depois do anúncio da demissão de Cafôfo. Mostra sede de chegar rápido a algum lado. Foi excessivo e cedo demais. Mas o PS é isto, um partido que ao longo da sua vida, foi de excessos e de falta de "timming". E de oportunidades perdidas.

Assim, com PS-M em permanente crise, além de uma oposição, generalizada, a valer pouco, sempre com os mesmos métodos e pessoas, é um "passeio" para o PSD-Madeira. PSD que, ainda por cima, tem um vasto eleitorado "residente". Assim, são mais 40 anos sem exagero.













 
 
 

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