PS pode estar em condições de perder; estará o PSD em condições de ganhar?

Para quem quer chegar ao poder, o PSD está a dar demasiados "tiros nos pés". Como de resto acontece com o CDS

Tem sido um caso de estudo o percurso de Rui Rio à frente do PSD, sobretudo depois da prestação feita enquanto presidente da Câmara do Porto. Podemos dizer que há um Rio antes e um Rio depois da Autarquia do Porto. Um Rio sem astúcia nacional, incapaz de fazer oposição consistente, interventiva, sem ser o "bota abaixo" primário, mas visível e contundente nos momentos chave.
Agora que estamos à beira das eleições legislativas antecipadas, o PS está em condições de perder, como disse Rui Rio numa entrevista recente. Mas cabe perguntar: estará o PSD em condições de ganhar? E que farão os eleitores perante tamanha realidade, com o PS desgastado pela governação e alguma aselhice interna, e um PSD desorientado a correr contra o tempo para despachar as internas, eleger rapidamente um líder e colocá-lo, à pressa, na corrida a primeiro-ministro? Que farão os eleitores com este cenário, sobretudo porque o outro partido do centro direita, o CDS, também faz da instabiidade um modo de vida, com saídas de elementos conhecidos, o último dos quais Cecília Meireles, que sai do Parlamento mas não sai do partido?
Estamos numa encruzilhada política, curiosamente com todos os partidos do arco do poder fragilizados. Não corremos o risco de ficar tudo na mesma, com os portugueses a darem indicação de escolha, não pelo melhor mas pelo menos mau?
A realidade política em Portugal não se recomenda neste momento. E é precisamente num momento em que não se recomenda, que se submete a uma eleição antecipada, quer queiram quer não com o Natal e final do ano pelo meio, com tudo o que isso implica relativamente à hipótese muito séria de haver divórcio inevitável do eleitorado na consulta de 30 de janeiro.
A questão de 30 de janeiro ser a data que foge à época de Natal, só é verdade de forma parcial. De facto, tendo em conta as duas semanas de campanha, é argumento verdadeiro. Mas já não é pelo período de apresentação de listas de candidatos e todo o processo burocrático que isso implica. Em pleno período de festa.
Todos queriam estas eleições, menos obviamente o PS. Mas quando Marcelo decidiu a dissolução da Assembleia da República e a marcação da data das eleições, logo os partidos deitaram as mãos à cabeça porque lhes falta tempo para estabilizarem as lideranças frágeis, por um ou outro motivo.
E na verdade, para quem quer chegar ao poder, o PSD está a dar demasiados "tiros nos pés". Como de resto acontece com o CDS. Rui Rio já não tem margem dentro do partido, perdeu-a há algum tempo. E Rangel pode ter dimensão no partido mas não tem dimensão nacional, falta-lhe tempo para isso.
O PS já está em condições de perder. Mas é preciso que alguém esteja em condições de ganhar....



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