PSD surpreende com convite a Ireneu para presidir à posse da Câmara do Funchal

Uma decisão rara de um partido "anti-cargo" deve obedecer a um novo posicionamento de Calado nesta nova missão autárquica. Mesmo que a relação institucional seja boa.

A figura do Representante da República para a Madeira, podemos dizê-lo, não é consensual relativamente à forma como o cargo é interpretado de representação da República numa Região com Autonomia Política. O PSD tem sido particularmente critico no que toca ao cargo, não obstante o bom relacionamento institucional que Ireneu Barreto vem mantendo com os líderes dos órgãos de Governo Próprio da Região, particularmente durante os últimos tempos em que Ireneu, por força do Estado de Emergência, desempenhou um papel ativo na relação do estado do País com as especificidades regionais.
Mas na verdade, e falando do PSD, mas também do CDS, agora em coligação governamental, não é frequente convidarem Ireneu Barreto para protagonismos de iniciativas públicas, como por exemplo as tomadas de posse para a instalação dos órgãos autárquicos. Também e essencialmente porque, protocolarmente, o Representante, estando presente, é quem preside, exceção se a cerimónia ocorrer no Parlamento Regional.
Aconteceu a falta de convite na Calheta, em Câmara de Lobos, Machico, Porto Santo, Santana, Santa Cruz, Ribeira Brava, São Vicente. Mas já o mesmo não aconteceu na Ponta do Sol, no Porto Moniz e, curiosamente, no Funchal, o que não deixa de ser surpreendente numa Câmara que passa a ser liderada pelo PSD e CDS. A equipa de Pedro Calado "mandou" convite para o Palácio, mandou como quem diz, deu indicações, uma vez que quem envia o convite é o presidente da Assembleia Municipal cessante, no caso Mário Rodrigues. E Ireneu Barreto aceitou, vai mesmo estar presente, vai presidir porque o protocolo manda, no dia 20 de outubro, pelas 17h30, na Praça do Município, ao ato de instalação da Assembleia e Câmara Municipal do Funchal.
Antes, a 16 de outubro preside, pelas 15 horas, no Espaço Multiusos do Porto Moniz, à cerimónia de instalação dos respectivos Órgãos Municipais.
Uma realidade interessante, que se tiver outras leituras, só mais para a frente saberemos. Mas pode ter sido cortesia neste contexto em que Calado aposta na convergência total. Pode dar jeito.



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