Quem (não) quiser resolver, mIA...

Outro feito da Banca moderna, que pede mais do que dá, que se paga bem para gerir nada, que não dá resposta quando o cliente precisa.

O Novo Banco manda-me falar com a mIA. Uma voz agradável, uma chamada assistente virtual. Não tenho razões de queixa da "educação". Ligo, espero, espero, às vezes não chego a desesperar porque consigo ligação, mais meia hora, menos meia hora, mas acontece andar muitas vezes lá perto do desespero.
Durante bons anos, desde os tempos do BES, e na altura não sabíamos que eram tão bons esses tempos, resolvia os assuntos com uma gestora, anos a fio a mesma, cuidadosa, competente, com muitas soluções e poucos problemas. Era gestora 360. Mesmo. Depois, mudanças cada vez mais apressadas, menos cuidadas, muita comissão e pouco esclarecimento, muita exigência, poucas obrigações do prestador de serviço. Até chegar a mIA. Assim, mIA baixinho, à distância de um click, muitas vezes um "não entendi, pode repetir", e de tanto repetir é uma canseira. Os Bancos estão todos assim, todos têm uma espécie de mIA, mas mIA mesmo é com novo Banco, agora comprado por grupo estrangeiro.
A mIA é simpática, lamenta não poder resolver. E de vez em quando até resolve alguma coisa, coisas simples. Tenho tido pouca sorte com os azares das mIAS, e com algumas mIAS reais, sempre diferentes que até já escrevi um relatório para não me esquecer de pormenores que a cada visita presencial tenho de explicar a mIAS reais diferentes, com o devido respeito por quem trabalha neste sector cada vez mais para dentro, cada vez mais para os grandes números, e cada vez menos para o grosso dos clientes, grandes, médios e pequenos. Um desastre, uma vergonha para sermos mais diretos e diretamente com quem me manda falar com uma máquina mas pede aos humanos para depositarem o dinheiro e adquirirem serviços.
Já falei várias vezes com a mIA. E cada vez que falo presencial, tenho sempre a sensação que falei com a mIA. Os poucos funcionários desdobram-se, talvez a mIA também, talvez a mIA com mais botões e os funcionários a "Pensar com os seus botões", o que, como se sabe, significa refletir ou falar sozinho, de forma íntima e reservada. Se bem que o que se considera íntimo e reservado, do ponto de vista profissional, é verdadeiramente público na nova concepção de design que uns "crânios" da arte entenderam como bons no universo do "espaço aberto", como se fosse comprar um bolo de arroz. Outro feito da Banca moderna, que pede mais do que dá, que se paga bem para gerir nada, que não dá resposta quando o cliente precisa e que demora o que acha que deve demorar e que tem os mesmos tempos como padrão. A alternativa, perante longas esperas, de pedir contacto nas próximas 72 horas, é hilariante, sobretudo para quem tem situações de urgência. A Banca exige sem responder, impõe sem justificar, e cobra sem prestar um serviço minimamente aceitável. Nem sempre foi assim, nesta triste dimensão, agora é. Uma estrutura assim, só pode ter os lucros que tem. É transversal a todas as instituições.
Pelo menos no Novo Banco é assim: Quem (não) quiser resolver, mIA...



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