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Quem quer saber de eleições?

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
23 de jan. de 2021
3 min de leitura


Não se percebe. Se calhar, não é mesmo para perceber. E com esta conversa toda, não sei o que faça. Dizem para ficar em casa, mas também dizem para ir votar.



Foto Lusa


Claro que o politicamente correto, muito em voga em Portugal, com medo de ferir susceptibilidades, com medo da crítica por se dizer aquilo que fica vem dizer e não aquilo que, na realidade, as pessoas pensam.

É verdade, nunca podemos dizer não ao voto. Estamos em democracia, foi o cabo dos trabalhos para a conquistamos, mesmo com algum "atabalhoamento" que abril possa ter trazido, nos primeuris tempos, mas no essencial a democracia valeu a pena, permite-nos a escolha dos nossos representantes. Não fazemos mais nada, mas podemos votar e depois esperamos que as nossas escolham façam pelo menos alguma coisa do que prometeram, normalmente fazem pouco e não lhes acontece nada. Não foi porque escolhemos mal, mas como o sistema não permite retificar a não ser no final do mandato, lá somos forçados a aturar jogos de cintura e aldrabices que, se soubessemos antes, iam ver como era.

Mas o voto é importante. Esta é a mensagem para todas as eleições. O apelo ao voto fica bonito, dá bom ar até ao mal encarado, dá pontos a quem suscita dúvidas e dá estatuto democrático até aos que, no dia a dia, acham o povo uma maçada.

É verdade que o voto, já diziam as já distantes canções de intervenção, é a "arma" do povo, às vezes é a arma dos governos para "desarmar" o povo durante quatro anos. Mas vamos lá reconhecer, porque também não quero ficar mal, de todo, o voto é importante. Apesar de tudo. É sempre importante, com todos os defeitos do sistema e o feitio das pessoas que escolhemos e nem 24 horas depois ficamos arrependidos.

O que se passa, neste momento, é diferente. As presidenciais acontecem neste domingo, muitos já votaram por antecipação, com longas filas, distanciamento deficitário e muita atitude em contraciclo com as medidas que a pandemia exige...menos para a ação política. Até o vírus já conhece, como diz o povo, "aquilo que a casa gasta".

Mas colocando de parte o politicamente correto, quem é que está preocupado com eleições num quadro pandémico de medo, de situações de esgotamento das estruturas de saúde e da imprevisibilidade do que ainda há-de vir? Quem é que vai a correr, sair de casa porque para votar há exceção, fazer o percurso, estar perto de pessoas, mesmo com a garantia de segurança, para escolher o próximo Presidente da República? Em circunstâncias normais, esta já é uma eleição difícil de mobilizar, imaginem neste contexto, só mesmo se o fenómeno André Ventura funcionar, para quem gosta e quem não gosta. Se não for isso, não estou a ver.

O próprio Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República em exercício, deveria ter sido o primeiro a incentivar o adiamento, pensado atempadamente para possibilitar as alterações constitucionais que a operação exige. Num momento de exceção, de emergência, de exigência, junto dos portugueses, para que respeitem restrições fortes, até a direitos previstos na constituição, só a política é que não pode proceder a mudanças em contexto excecional, deixando arrastar prazos até esgotar a possibilidade de solução. Depois, Marcelo empurra para os partidos, os partidos empurram uns para os outros e, assim, quem deve decidir "empurra com a barriga".

Não se percebe. Se calhar, não é mesmo para perceber.

E com esta conversa toda, não sei o que faça. Dizem para ficar em casa, mas também dizem para ir votar.

Vou aproveitar para refletir o que falta. Pode ser que se faça luz nesta "escuridão" de decisões de "navegação à vista".

 
 
 

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