Reações internas no PSD-M fazem Albuquerque recuar na certeza de coligação em 2023

As "sirenes" já tocam no partido liderado por Rui Barreto/José Manuel Rodrigues, sobre a eventualidade de ficar de fora das opções do PSD nas regionais de 2023.

Por muita unidade propalada no âmbito da coligação governativa regional, já alargada a projetos autárquicos, designadamente no Funchal, a verdade é que o acordo PSD/CDS gera cada vez mais algum desconforto nos dois partidos, mas particularmente no PSD, onde tanto as bases como algumas cúpulas consideram que, para o futuro, o CDS não é mais valia, apontando os resultados das legislativas nacionais recentes como exemplo.
Mas Miguel Albuquerque e Rui Barreto sempre afirmaram que este acordo era para durar. Inclusive, na noite eleitoral recente, o líder do PSD-Madeira e presidente do Governo garantiu que a coligação era para vigorar nas regionais de 2023, uma certeza que deixou as estruturas internas com os "cabelos em pé" e fizeram sentir isso mesmo ao líder, que como vem sendo hábito, adianta-se nas declarações, de forma algo extemporânea e às vezes sem quaisquer contactos prévios nesse sentido. E mais uma vez foi assim.
E a reação foi de tal forma que Albuquerque teve necessidade de fazer novas declarações visando uma garantia de assumir este compromisso com o CDS até ao fim, mas agora não fala em 2023, diz apenas que este acordo em vigor será honrado. Uma atitude para pacificar as suas hostes, mas a agitar as hostes do seu parceiro de governo, que de imediato reavivou a memória de Albuquerque lembrando que não fora a mão do CDS e o PSD podia não estar a governar. O caso de Lopes da Fonseca, a recordar a importância da estabilidade, dizendo que o povo quer estabilidade, com o argumento da vitória de António Costa, veio de certo modo expressar as "sirenes" que já tocam no partido liderado por Rui Barreto/José Manuel Rodrigues, sobre a eventualidade de ficar de fora das opções do PSD nas regionais de 2023, não sendo também garantido que o PSD consiga maioria absoluta, ainda que o cenário hoje seja mais propício a uma vitória das antigas do que propriamente aconteceu nas últimas regionais, onde se gerou uma onda favorável ao resultado mais equilibrado entre PSD e PS.
Neste momento, há um certo nervosismo no CDS, que apela à unidade mas está consciente que a palavra PSD aparece em destaque nas vitórias da coligação, em vários momentos mesmo sendo tratadas como vitórias do PSD. O que já está a criar, junto de Albuquerque e Barreto, uma pressão alta para pensar o que farão daqui a ano e meio sensivelmente. Mas sobretudo o que fará Albuquerque.



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