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Refletindo sobre um Feliz Natal

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
21 de dez. de 2021
2 min de leitura

São as ruas, as luzes, aquela paz interior que nem sequer é importunada pelo Feliz Natal dito a granel, que muitas vezes se sente vazio, como está bom tempo ou parece que vai chover.




Sempre gostei muito do Natal e do final do Ano, acho mesmo que não há igual. Nem Carnaval, nem Festa da Flor, nem outra coisa qualquer, com muito respeito pelo trabalho e criatividade de muita gente. Natal é Natal. Faz parte da minha imaginação um Natal associado ao frio, ao nosso frio, porque ao frio dos ingleses e a outros frios bem mais distantes, daqueles frios que só suportamos de passagem, só mesmo ir num pé e vir noutro, só para sentir o que sente o Pai Natal na neve com as renas.

Mas o que gosto mesmo é do nosso Natal, na Madeira, onde tudo faz parte, o olhar de Festa, de contemplação e da tolerância, mesmo para aqueles que só de ver de canto deixam-nos intolerantes o resto do ano. Faz tudo parte, a casa pronta a 1 de dezembro, a festa e as ornamentações são para contemplar, com tempo, sem pressas, hoje uma ginja e um doce, amanhã um licor daqueles caseiros, até daqueles que nem ao terceiro copo sabemos de que é, sabe a Natal e isso chega. Viver cada momento como único, belo e partilhado, o Natal é partilha, é família, é aquela cara que conheço de algum lado e que só vejo no Natal. São as ruas, as luzes, aquela paz interior que nem sequer é importunada pelo Feliz Natal dito a granel, que muitas vezes se sente vazio, como está bom tempo ou parece que vai chover ou está tudo bem sem querer saber se está nem esperar pela resposta.

Gosto muito do Natal assim mesmo, não sei se a ternura dos quase sessenta me moldou a ser Feliz com o Natal e com isto tudo lá dentro e o mundo real de pessoas, verdadeiras pessoas, com quem posso dizer Feliz Natal por querer dizer mesmo Feliz e dizer mesmo Natal a cada uma dessas pessoas que comigo são a Festa.

Gosto muito do Natal. Mas sinto a resistência de um novo Natal, que "atropela" a tradição como se tirasse um pouco cada dia, que me diz, há dois anos, "não vais por aí", eu habituado a ir a todo o lado, olhar para a cara das gentes, mesmo aquelas que achavamos com "má cara" ou "cara de poucos amigos".

Não sei se a idade tem alguma coisa a ver com a pressa que tenho de viver o Natal sem poder fazê-lo como sempre. A máscara, a distância, o teste, o gel, os ajuntamentos, que por acaso só podem acontecer nos supermercados, as notícias, que me perseguem com a mesma rapidez que as persigo, tudo está a passar sem aquele sentido de sempre do Natal.

Estou distraído e alguém passa ao lado com "aquele" Feliz Natal. Não sei quem é, vi de relance e com máscara é mais difícil...deve ser alguém conhecido...

FELIZ NATAL para si também.

Seja o que for um FELIZ NATAL.


 
 
 

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