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Revelação para refletir: só 10% das empresas concorreram à "linha Covid"

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
8 de out. de 2022
2 min de leitura

O deputado Victor Freitas revelou números e o presidente do IDE, Duarte Freitas, reconheceu que "a linha de crédito, no valor de 100 milhões de euros, não foi esgotada".


O presidente do IDE - Instituto de Desenvolvimento Empresarial, foi ouvido recentemente na comissão de inquérito.


O deputado socialista Victor Freitas, que participou na comissão de inquérito parlamentar sobre "as falhas na operacionalização da linha de crédito às empresas da Região Autónoma da Madeira afetadas pelo surto do novo coronavírus (COVID-19), designada Linha de Crédito INVEST RAM", veio a público, recentemente, revelar, sem que alguém o desmentisse, ter contatado que "só 10% das empresas da Madeira concorreram às linhas de Crédito INVEST RAM Covid-19", o que não deixa de ser surpreendente para a globalidade dos efeitos da crise, essa pandémica e depois económico financeira, que deixou o mundo empresarial em dificuldades, sobretudo num tecido económico como o nosso feito de pequenas e médias empresas.

Mas Victor Freitas disse mais, com pertinência que deve ser avaliada e pensada independentemente de pertencer a um partido político: "90% das empresas não se candidataram porque não preenchiam os critérios de menos 40% facturação ou tinham dívidas às finanças e/ou à Segurança Social.

Também não nos conseguiram explicar porque razão fixaram os 40% de quebra na facturação como critério e não outro valor".

Duarte Freitas, o presidente do IDE, o Instituto de Desenvolvimento Empresarial, foi um pouco ao encontro dessas dúvidas reconhecendo que "a Linha de crédito, no valor de 100 milhões de euros, não foi esgotada. No final de julho, quando terminou o prazo de candidaturas, estavam ainda disponíveis 5 milhões de euros" ou quando admitiu a "existência de atrasos na emissão dos pagamentos bancários, que tiveram a ver com o tempo de análise dos documentos entregues pelas empresas, por parte dos bancos, apesar de afirmar que “a situação foi normalizada”.

Na primeira fase foram registadas 2.636 candidaturas, no valor de 55 milhões de euros, sendo que “mais de 40 milhões de euros foram pagos, em mais de 2.400 operações de financiamento”.

O que é importante retirar destes apoios prende-se com a malha "apertada" no valor dos prejuízos, muitas empresas acabaram com quebras inferiores ao eatabelecido e precisavam de ajudas para a sua sobrevivência e a sobrevivência dos postos de trabalho, ainda que poucos em alguns casos. Depois, a burocracia é desencorajadora, é mais fácil fechar a porta. O Governo abre linhas de apoio, sem que se possa colocar em causa a bondade das medidas, mas na prática as candidaturas emcontram dificuldades burocráticas inultrapassáveis, o que desde logo explica os números avançados pelo deputado: "só 10% das empresas da Madeira concorreram as linhas de Crédito INVEST RAM Covid-19".

Enquanto encararmos estas realidades de um ponto de vista partidário, onde a crítica da oposição vale menos por ser da oposição e não por ser um contributo para a boa governação, teremos estes processos herméticos, complexos, excessivamente burocráticos, em contraciclo com um tecido empresarial que, pelas suas caraterísticas, tem dificuldades em dar resposta a uma burocracia que até em grande parte não tem a ver com o Governo, mas onde o Governo pode ter uma intervenção além da publicidade nos jornais.

 
 
 

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