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Rio "brando" e a fazer o que Passos Coelho defende deixa PSD vulnerável

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
31 de jul. de 2021
2 min de leitura

Rui Rio sobre as reformas da Constituição e do Sistema Eleitoral: "O que Pedro Passos Coelho queria dizer era “já tentaste, se eles não querem, tens de avançar”. E é o que eu estou a fazer".



Já se sabe que o PSD de Rui Rio vai até às últimas para fazer oposição a sério. Quando faz é porque Rio acha que não há solução ou por imposição de um qualquer interesse superior, como as diretas, que se aproximam e deixam o líder num dilema: fazer o que tem a fazer a tempo de fazer alguma coisa.

Internamente, discute-se a firmeza de Rio, sendo que por diversas vezes, desde a Madeira, tem vindo um alerta para defender o futuro daquilo que, por exemplo Jardim, considera como um "assalto" ao partido feito no tempo de Passos Coelho. Jardim não gosta de Passos, pelos contornos ideológicos mas também por não perdoar alguma oposição interna ao próprio Jardim. Mas também não aprecia Rui Rio, demasiado brando na forma de oposição, ao ponto de deixar o PSD em aberto para o futuro e vulnerável ao regresso de tendências passadas.

Em declarações ao Expresso, o líder social democrata explica porque apresentou, agora, as reformas da Constituição e do Sistema Eleitoral. Cansou-se de esperar pelo PS, de apelar ao consenso. Partiu para outra estratégia, a de avançar mesmo. Dá razão a Passos Coelho, o anterior líder do partido, muito contestado, quando este diz que as reformas fazem-se em confronto. "Tentei, disseram sempre que não, agora aqui estão as propostas.” Até porque há diretas no PSD em janeiro e o trabalho não deve ser deitado para o “lixo”.

O Expresso colocou a questão: Acaba por dar razão a Pedro Passos Coelho quando disse, em resposta ao seu discurso no MEL — Movimento Europa e Liberdade, que as

reformas fazem-se em confronto e não à espera de consensos...; Rio respondeu:

"O que Pedro Passos Coelho queria dizer com isso era “já tentaste, se eles não

querem, tens de avançar”. E é o que eu estou a fazer. Mas aritmeticamente é o que

é, pois precisamos dos votos do PS para aprovar estas reformas".

Pois é esta novidade, em que o nome de Passos Coelho volta à discussão, pela voz do líder Rui Rio, situação que transmite maior relevância ao que Jardim tem dito sobre os perigos do partido voltar a cair nas mãos de Passos Coelho, como em 2010.

Dar razão a Passos é, para alguma tendência interna, uma reação de fragilidade de Rui Rio, assumindo o falhanço da sua estratégia em favor do que pensa o líder anterior que, para muitos, é de má memória.


 
 
 

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