Rodrigues tem "receita" para o abandono: ensinar o conhecido, preparar para o desconhecido

O presidente da Assembleia defendeu uma maior aposta nos “cursos profissionais adequados às necessidades do mercado regional”

Foi uma autêntica dissertação sobre o combate ao abandono escolar, bem ao jeito governamental, aquela que José Manuel Rodrigues, o presidente da Assembleia, orgão de competências legislativas e não executivas, fez hoje, no Museu da Imprensa, em Câmara de Lobos, no encerramento da iniciativa Setembro Mês da Alfabetização e das Literacias - SMAL - de âmbito nacional. Pediu ambição para levar a Região “à linha da frente” do combate ao abandono escolar e apontou cinco medidas para atingir o objetivo.
No momento atual, diz o presidente do Parlamento, não basta conhecer os factos. É preciso que os nossos alunos percebam as causas que originaram esses factos, bem como as consequências que esses factos desencadearam. “Só alunos reflexivos estarão preparados, dotados do conhecimento colocado à sua disposição pelas gerações que os precederam, para atuar face a novas situações, tomando as melhores decisões. É preciso mudar de paradigma: “mais do que ensinar apenas o ‘conhecido’ é preciso preparar para o ‘desconhecido’”, vincou.
“Na Região conseguimos, entre 2013 e 2019, baixar para cerca de metade a taxa de abandono escolar precoce de educação e formação. Os ainda cerca de 14% não nos devem deixar abrandar os esforços desenvolvidos”, começou por lembrar o Presidente do primeiro órgão de governo próprio da Região.
“O compromisso dos países da União Europeia é de reduzir essa taxa para valores da ordem dos 10%, mas a nossa ambição deve ir mais além. A nossa ambição tem de nos levar a pertencer à linha da frente”, afirmou.
Para atingir tal objetivo, José Manuel Rodrigues entende ser necessário “haver uma enorme vontade política para combater o abandono escolar precoce, uma vez que na sua origem estão razões económicas e culturais relacionadas com a pobreza das famílias” e “em segundo lugar, importa adequar os recursos humanos ao número de alunos por turma, agora que a frequência escolar é menor, e criar novos currículos alternativos e novas estratégias de ensino para os jovens com problemas de aprendizagem”.
José Manuel Rodrigues defendeu, ainda, uma maior aposta nos “cursos profissionais adequados às necessidades do mercado regional” e o aproveitamento das “boas experiências efetuadas em escolas madeirenses, que reduziram as taxas de abandono e daí tirar as devidas ilações para toda a Região”. Por fim propôs que sejam dadas “mais competências aos docentes e formadores para usarem outros métodos de ensino, nomeadamente com recurso às tecnologias e às artes, tornando os conteúdos mais apelativos, quando tal configure uma estratégia adequada”.
“A velocidade a que o Mundo evolui na era tecnológica e os consequentes desafios a que está permanentemente sujeito levam-nos a ter cada vez mais consciência de que o paradigma de ensinar apenas o “conhecido” tem de ser acrescentado com o “preparar para o desconhecido”. É imperioso que as nossas crianças e jovens alunos sejam desinquietados para que tenham espírito crítico, sejam reflexivos, sejam inovadores.
O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira salienta ainda que “nesta caminhada por uma Educação de qualidade é preciso que não se deixe ninguém para trás” e saudou “a iniciativa da Secretaria da Inclusão e Cidadania por dar formação às pessoas inscritas no Instituto de Emprego e que não encontram um posto de trabalho”.



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