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  • Henrique Correia

Santa Cruz volta a sentar o povo no lugar do Governo no dia do concelho


Filipe Sousa dá exemplo de Machico: "O Governo foi a casa alheia criticar o presidente da Câmara que o convidou. Uma atitude que revela não apenas falta de educação, mas que também é exercida sem qualquer legitimidade".



Já aconteceu nos ultimos anos e volta a acontecer este ano. No dia do concelho de Santa Cruz, a 25 de maio, o povo senta-se no lugar do Governo, que não vai ser convidado. E Filipe Sousa explicou, no seu "ponto de ordem", aquela que, pelos contornos, pode ser interpretada como uma falta de sentido democrático, reconhecendo que "não é decisão que se tome de ânimo leve e como democrata que sou, preferia uma relação institucional sã e sem pedras na engrenagem".

O autarca lembra que o Governo falhou com Santa Cruz, "no caso dos terrenos do Parque Industrial da Cancela, e de ter vindo, ao longo destes anos, a desrespeitar e prejudicar o poder local, retendo ilegalmente as verbas do IRS e gerindo os contratos-programa sob a luz da lógica partidária e não da justiça e equidade".

Mas Filipe Sousa diz ter mais argumentos de peso, o exemplo do que se passou em Machico: "Mas, na verdade, o Governo Regional tem conseguido sempre que mantenha a minha posição. E a última vez que o fez nem foi em relação a Santa Cruz. Estive na sessão solene do Dia de Machico e senti-me ofendido, desrespeitado e em total solidariedade com o meu camarada autarca Ricardo Franco.

Convidado para a cerimónia, o Governo Regional, que se fez representar pelo Secretário Regional dos Equipamentos e Infraestruturas, João Pedro Fino, foi a casa alheia criticar o presidente da Câmara que o convidou. Uma atitude que revela não apenas falta de educação, mas que também é exercida sem qualquer legitimidade. Afinal, há uma coisa que é a autonomia do poder local, e existe também outra coisa que dá pelo nome de Democracia representativa, que tem o seu momento alto no voto, onde o povo escolhe os seus eleitos e as políticas que quer para o seu concelho".

O presidente da Câmara considera que "o Governo Regional nada tem a ver com a forma como um eleito gere o seu concelho. Mas a atitude revela ainda algo de mais profundo e tenebroso, que é aquela mania do PSD olhar para as câmaras da oposição como se estas tivessem uma autoridade democrática menor, apenas porque não são governadas pelo partido do poder na Região.

Daí que, no próximo dia 25, quem se vai sentar ao meu lado vai continuar a ser um representante do povo, porque é ele o elo mais forte da democracia e porque é no povo que continuo a confiar e não naqueles que mentem, manipulam e criticam em casa alheia sem qualquer legitimidade".

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