Sem apoios metade era pobre; pessoas e instituições estariam falidas

Então, em que ficamos? Como acabar com esta dependência sem consequências para as pessoas, para as empresas e para os governos? Claro que nunca mais acaba...os governos (também) precisam.

O primeiro-ministro disse esta semana que metade do país seria pobre sem os apoios sociais, o que não é novo, uma vez que Rui Rio, então líder do PSD, já tinha colocado essa fasquia nos 43% da população. E não é difícil perceber isso, trata-se de uma percentagem até "generosa" para definir o descalabro que seria se fechassem a "torneira" dos apoios sociais, mas também da subsídio dependência absorvida pelo mercado, nas pessoas, nas instituições, para gestão corrente, para a realização de eventos, pequenos, médios, grandes, tudo leva uma fatia, do futebol à petanca, da pequena produção aos santos populares, das sopas ao marisco, do torneio de golfe para o povo saber que existe, mais para o golfe gerir as contas, mais um trail, mais um torneio de cartas, mais uma associação, mais casas do povo, mais movimentos, os que mexem muito e os que mexem assim, assim, sendo que no caso da Madeira o JORAM não dá despacho a tanta resolução que, só fazendo contas de calculadora, pode ser avaliada na devida dimensão.
Sem apoios, fechavam jornais, fechavam rádios, fechavam clubes na dimensão em que se encontram, fechavam associações, os professores já não eram destacados, as festas eram mais comedidas, estávamos mais pobres. Assim, a economia mexe, é uma falsa "riqueza" mas é assim, tem outras vantagens e já lá vamos a elas.
Não vale a pena esconder que a Região sempre assentou a sua política no subsídio. E mesmo no tempo de Jardim, que agora critica a subsídio dependência e o assistencialismo, este era o modo de operar a vários níveis para quem não tem a memória curta. Hoje, a pesquisa é fácil com tanto apoio concedido, de certo modo potenciado pela pandemia, obrigando o Governo e as Câmaras a apoios suplementares para apoiar famílias e empresas. Foi uma necessidade pontual, a que se juntou o conjunto de apoios de tempos normais.
Se por um lado, a política é incentivar a iniciativa privada para mexer com o mercado na criação de postos de trabalho, a economia impulsionada pelo privado e não pelo público, por outro há esta distribuição alargada de verbas e uma economia suportada pelo poder público, de tal modo que se transforma numa máquina controlada pelos poderes públicos, dependente para qualquer ato de gestão e com o peso nas contas das pequenas tesourarias que fazem toda a diferença para os atos mais elementares do dia a dia. Se o Governo não paga ou tem um atraso, ninguém paga a ninguém e fica tudo à espera. É uma dependência alargada.
É claro que todas estas ajudas, com objetivos nobres, de ajudar a formação, afastar os jovens de vícios, promover o associativismo e a prática desportiva e de lazer da população, tem um lado menos visível mas consequente, de reconhecimento relativamente ao papel dos poderes públicos, de agradecimento sobre o papel que estas ajudas têm no funcionamento da comunidade e nos apoios políticos daí resultantes.
Cada vez mais, somos chamados a avaliar os níveis de pobreza. Mesmo com apoios, essa pobreza existe e deve ser analisada com realismo. Sem apoios, seria muito pior.
Então, em que ficamos? Como acabar com esta dependência sem consequências para as pessoas, para as empresas e para os governos? Claro que nunca mais acaba...os governos (também) precisam.



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