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  • Henrique Correia

Sem fundamentalismos...



Entre o que se pode fazer e o que apetece fazer, vai uma distância. Talvez a mesma entre o entendimento e a falta dele...mas é este o País e a Região que temos. Com os Governos que temos, com o povo que temos. E com a Constituição que temos.




Não alinho em teorias fundamentalistas. Não permitem o exercício de uma avaliação livre, com sentido crítico, toldam em larga escala o nosso pensamento e resultam, quase sempre, em expressões destituídas de qualquer relação com a realidade.

A Covid-19 deu-nos muito do conhecimento do País que temos, do próprio povo, numa primeira fase solidário, depois discriminatório, depois ainda voltando ao seu estado normal, com o umbigo no centro da discussão e a visão tão curta que se atropela nas próprias palavras e atitudes. É pena não conseguirmos uma regularidade por aquilo que nos enobrece e termos como "modus operandi" aquilo que nos apouca. A pandemia e o confinamento, que nos tornaram iguais na diferença natural, que nos tornaram iguais na vulnerabilidade e que nos mobilizaram como nunca por exposição a um desconhecido, também nos trouxeram um outro lado, mais obscuro, em que o "inimigo" invisível é o outro.

Outra coisa que não acredito, nem tem sustentação de qualquer espécie, é aquela teoria que há uma cultura de medo para atingir determinados objetivos que ainda ninguém conseguiu identificar. Por um lado, o medo, por outro o laxismo. Somos de extremos. E tanto criticamos quem não usa máscara como quem obriga a esse uso. Acusamos os jovens de irresponsáveis, que há ajuntamentos, mas acusamos, também, os governos pelo encerramento dos bares da noite, com reflexosna economia e num setor, o das discotecas, que foi o mais prejudicado.

Sem fundamentalismos e sem estarmos de certo modo condicionados ao que pensam os partidos sobre a pandemia, na sua própria imperfeição ideológica e programática que acaba por condicionar a capacidade analítica que um cidadão desprendido de barreiras poderá fazer com maior "independência". Numa pandemia, não é sempre preto ou sempre branco. Daí a dificuldade da esfera partidária.

Seria muito positivo que esta pandemia não fosse desvalorizada e que possamos viver com ela, de futuro, de forma responsável. A vida não pode parar. E seria bom que os governos atuassem de forma responsável dentro das normas legais, respeitando a Constituição tal qual ela está ou propondo as alterações necessárias se os preceitos constitucionais se revelarem inadequados face a novas realidades e enquadramentos. Se for esse o caso, muda-se através do consenso de uma maioria parlamentar alargada. Até lá, a legislação é como o vírus, não foi de férias. Mas às vezes, parece.

Entre o que se pode fazer e o que apetece fazer, vai uma distância. Talvez a mesma entre o entendimento e a falta dele...mas é este o País e a Região que temos. Com os Governos que temos, com o povo que temos. E com a Constituição que temos.





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