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  • Henrique Correia

SIC envolve o nome de Rui Barreto com o "financiador do CHEGA"


Rui Barreto recebeu 29.880 euros e diz que "não se tratou de um donativo, mas sim de um empréstimo". Reconhece que "o partido estava em dificuldades financeiras". Regularizou essa dívida em 2020


O jornalista da SIC disse que teve acesso à informação do mail recebido por Rui Barreto


A estação televisiva SIC emitiu hoje uma reportagem, uma segunda parte sobre contornos supostamente duvidosos da vida do CHEGA de André Ventura, designadamente ao nível do financiamento, envolvendo o nome do empresário César do Paço, que terá em tempos ajudado o CDS e que, posteriomente, "virou-se" para o partido de Ventura, com o jornalista a avançar informações sobre eventuais anomalias nesses mesmos financiamentos. A reportagem envolve o nome do líder regional do CDS Rui Barreto, numa situação que remonta a 2019.

A reportagem dá conta que, em 2019, em vésperas das eleições regionais, com o CDS a apostar na retirada da maioria absoluta ao PSD, na Madeira, o líder regional Rui Barreto, colocou em cima da mesa, numa reunião nacional, os problemas financeiros da estrutura regional, em virtude do impasse verificado com um empréstimo pendente na Caixa de Crédito Agrícola, que não atava nem desatava. Diz o jornalista que o CDS, na altura, "era apetecível como fiel da balança" na Madeira. Foi nessa reunião em Lisboa, a seis semanas das regionais de 2019, que Barreto conheceu Cesário do Paço. Pouco depois, precisamente 24 horas, diz a reportagem da SIC, o dinheiro (total de 29.880 euros) apareceu dividido nas contas de Rui Barreto, de Gonçalo Nuno Santos, atual adjunto de Barreto na secretaria da Economia (recebeu a dobrar), Luís Filipe Santos, Gonçalo Camacho e Vítor Barreto.

A reportagem aponta, ainda, para um mail que Rui Barreto recebeu, em julho de 2020, do então advogado de César do Paço, José Carvalho Araújo. Este advogado teria exigido a devolução do dinheiro em nome de César Manuel do Paço.

O líder do CDS Madeira e secretário regional da Economia admite tudo, numa exposição à SIC, por escrito. Diz que não se tratou de um donativo, mas sim de um empréstimo. Reconhece que o partido estava em dificuldades financeiras e recebeu esta ajuda. O facto de o dinheiro entrar nas contas pessoais e não na conta do partido é explicado por Barreto como sendo de pessoas da sua confiança. No caso, o seu irmão, o seu adjunto, e filho Filipe Santos e ainda Gonçalo Camacho.

O jornalista questionou sobre o não pagamentos da dívida aquando da regularização da situação financeira do partido, mas Rui Barreto explica com o facto do advogado de César do Paço ter "desaparecido" e da pandemia. Mas não disse quando pagou. Diz o jornalista ter constatado que Rui Barreto pagou essa dívida 10 dias depois da primeira questão colocada pela SIC.

A reportagem da SIC faz a ligação ao CHEGA: "O empresário deixa de financiar o CDS e passa a financiar o CHEGA, muda de cavalo".


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