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  • Henrique Correia

Sindicato quer testes alargados a educadores e professores de risco fora das salas de aula

Francisco Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira, diz-se desiludido com a redução no número de colocações, neste momento menos 50 do que em 2019. Hoje, 2 de setembro, começam os testes


O ano letivo, na Madeira, vai começar. E não há um, nem um, dos agentes envolvidos no processo educativo que esteja tranquilo relativamente ao que será a vida nas escolas em ambiente de pandemia e com os números em crescimento. O desconhecido que a Covid-19 ainda encerra, nos seus diferentes contornos que não permitem ter certezas e influenciam diretamente o estado de espírito que neste momento deve estar a provocar, já, muitas noites sem dormir. O Governo, por ser a entidade que decide, os professores, o pessoal não docente, os alunos, os pais e educadores, todos eles com um sentimento de insegurança face a impossível promessa do seguro total.

A secretaria regional da Educação já veio a público anunciar algumas medidas, entre elas, em síntese, o teste a todos os docentes e não docentes, deixando no entanto os educadores de fora, uma vez que já foram testados recentemente e, por isso, argumenta o governo, estão numa situação de menor risco. O Sindicato dos Professores contesta, diz que ninguém deveria ficar de fora, está em causa a segurança máxima da comunidade escolar. E não só. Acontece que, agora, há testes, a partir de hoje, 2 de setembro, para docentes e funcionários das escolas do 1º ciclo, no dia 4 é para os 2º e 3º ciclos. E os alunos terão, cada um, duas máscaras reutilizáveis, proteção que será obrigatória em contexto escolar a partir dos seis anos de idade.

O presidente do Governo também está preocupado. Ontem mesmo, Albuquerque alertou que «temos todos de ter muito cuidado, sobretudo numa época em que vamos, agora, abrir as escolas. São 43 mil alunos e seis mil professores. Portanto, temos de ter muita cautela, muita precaução e muito bom senso». E é verdade, as medidas estão no terreno, mas do vírus e da segunda vaga pouco se sabe, pode ser grande, pode ser pequena. Prevenir o incerto.

Francisco Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira, revela que o SPM enviou um documento ao secretário da Educação, Jorge Carvalho, a 5 de agosto, dando conta de algumas medidas que a estrutura sindical entende como importantes para o início do ano letivo presencial. Algumas dessas medidas estão, agora, plasmadas no pacote apresentado pelo Governo, como sejam os testes e as máscaras reutilizáveis. O Sindicato está satisfeito por isso. Com uma diferença, “os testes deveriam abranger, também, as educadoras, apesar de terem sido testadas em junho. Não testar os educadores não faz sentido, é uma medida economicista do Governo Regional”. A razão é simples: “São elas que contactam com as crianças que se situam numa faixa etária que não obriga ao uso de máscara, há maior exposição”.

Francisco Oliveira diz que estão reunidas as condições mínimas para o início do ano letivo, na Madeira, em segurança. Mas acrescenta que a estratégia deve obedecer a uma melhor planificação, com testes periódicos e não apenas no início do ano, que pode ser interpretado como uma medida avulso e sem qualquer consequência de futuro. É importante que os testes sejam feitos agora, é sempre melhor do que não fazer, mas deviam obedecer a um plano mais alargado no tempo”.

O coordenador sindical está preocupado com vários outros assuntos, um deles que se prende com o número de alunos por turma, para permitir o afastamento, sendo que, um outro, tem a ver com o que considera uma “falta de investimento nos recursos humanos. Ficámos desiludidos com a colocação de professores, ontem, cerca de 200, que representam menos 50 quando comparado com o início do ano letivo passado. Ora, se num contexto normal poderia ser suficiente, mas neste contexto de prevenção e segurança não é aceitável e vai exigir a envolvência de um maior número de docentes. Além disso, este ano esse número deve aumentar em função da necessidade de defender os professores de risco, alguns de risco elevado, que não devem ser expostos. Não expondo esses docentes, estamos também a defender a comunidade. E esses professores até poderiam dar aulas à distância a alunos que não possam deslocar-se às escolas, por diferentes motivos. Mas também nas escolas, existem outras funções para esses professores. O que achamos é que não podem estar nas salas de aula, mais expostos”.

Para Francisco Oliveira “a secretaria deve garantir todas as condições para permitir os recursos humanos necessários, mas também assegurar que as escolas sejam dotadas dos meios financeiros para que possam fazer as adaptações exigidas, caso contrário vai faltar dinheiro a meio do ano”.

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