TAP quer retomar oito frequências diárias com a Madeira nos próximos anos; Natal com 5

Frasquilho diz que "a perda de receita da TAP, este ano, é superior a 70 por cento, é uma verdadeira catástrofe", aponta excesso de 2000 trabalhadores depois de preservar 1000 com cortes salariais de 25% para salários acima dos 900 euros

O presidente do Conselho de Administração da TAP revelou hoje, em entrevista à TVI, que o objetivo da companhia é retomar, já em 2021 e anos seguintes, as 8 frequências diárias com o Funchal. "Neste momento estamos com quatro, para o Natal teremos cinco e em 2021 e anos seguintes vamos procurar retomar, progressivamente, essas 8 frequências anteriores, se a procura se justificar. E a frota também está prevista crescer com a chegada de novos aviões".
Nesta entrevista, Miguel Frasquilho disse que a companhia aérea só em 2014 e 2025 estará aos níveis de 2019. Miguel Frasquilho falava, reconheceu que o plano de sobrevivência da companhia, a ser submetido a Bruxelas, "é confiante, prudente, sólido. Mas é extraordinariamente duro, muito exigente e vai obrigar a que a TAP mude de vida em relação às últimas décadas. É para salvar postos de trabalho".
Miguel Frasquilho reconheceu que vêm aí tempos difíceis. E relativamente à agitação social, à perspetiva de graves, disse que "o importante é evitar que a TAP tenha resultados negativos como até aqui. A alternativa a este plano seria o encerramento da TAP. Os próximos anos serão difíceis e é preciso cumprir metas".
Frasquilho revela que "a perda de receita da TAP, este ano, é superior a 70 por cento, é uma verdadeira catástrofe", fruto da falta de ocupação pelas consequências da crise provocada pela Covid-19.
"Identificámos excesso de colaboradores, face ao contexto atípico, e chegámos a um número de 3000 trabalhadores, para a necessidade de operação de 2021. Fazendo um mix desta informação e um corte salarial de 25% para rendimentos acima dos 900 euros, transversal a toda a empresa, conseguimos com este corte preservar 1000 empregos. Ficam 2000 trabalhadores, primeiro mediante negociação de saída voluntária, reformas antecipadas, trabalho em part-time. Só a seguir acontecerá um eventual processo de saídas não negociadas".
O presidente do conselho de administração da empresa admite haver uma margem de manobra para conversar com os sindicatos, mas não esconde um cenário muito complexo na operação de 2021, dizendo mesmo que a frota, de 88 aviões, pode não ser utilizada, na totalidade, no próximo ano, onde os níveis de ocupação não serão muito diferentes daqueles registados este ano".
Miguel Frasquilho abordou o futuro da Portugália, que não irá sofrer despedimentos, admitindo estar em estudo a transferência de trabalhadores da TAP para aquela companhia. Esclarece que "a Portugália opera com aparelhos Embraer, aviões mais pequenos e mitigam o risco em que a procura é menor, com menores custos de operação. Pensamos incrementar a operação, com a Portugália, para o Porto, competindo com os nossos concorrentes".
Em termos de novas rotas, Miguel Frasquilho diz que a TAP vai manter praticamente os mesmos destinos, com redução de frequências, designadamente para o Brasil, onde vamos passar para dois voos diários. A TAP ganha dinheiro no longo curso,não é no médio curso, onde tem a concorrência das companhias de baixo custo.



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