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  • Henrique Correia

Toque a reunir


A população exige união num momento destes. Para falar a sério e decidir a sério. Nem que seja só pela Covid-19. As eleições logo se vê. Podem esperar.


O aumento de casos de Covid-19, na Madeira, já era esperado. O que se presumia poder acontecer após as festas de Natal e final do ano, também certamente vai acontecer, mas ainda é cedo para ver até que ponto isso vai ocorrer na medida das preocupações. Estes números, dos últimos dias, que revelam uma subida de infeções diárias, têm a ver com as festas, as diversas festas que antecederam a época natalícia, como sucedeu com a matança do porco e outros convívios que, com mais um ou outro convidado, com mais ou menos glamour, com noites mais ou menos temáticas, foram acontecendo em milhares de casas pela ilha, em vários hotéis, em muitos dos casos sem quaisquer restrições, apesar de invocarem as normas da DGS, como se isso bastasse para colocar o vírus à porta com medo do álcool gel.

Curiosamente, os madeirenses portaram-se bem nos quadrados pela cidade, vieram em muito menor número do que o esperado, viram o fogo de artifício, a cidade ficou quase deserta à uma da manhã, sem engarrafamentos nas saídas. Tudo muito calmo para uma noite de final do ano, mas correspondendo aos pedidos, tanto do presidente do Governo como da PSP, para que os madeirenses ficassem em casa. E ficaram, não sei se houve menos festa, mas ficaram. Vamos a ver no que isto dá para meados de janeiro.

Entretanto, enquanto aguardamos que os reflexos não sejam muitos, há concelhos que já estão em risco elevado e houve como que um "toque" de alerta para tentar apanhar alguns dos "cacos" que as últimas semanas têm sido espalhados pela contaminação. Ontem, no final da noite, publicámos a ordem dos três concelhos já na condição de risco elevado, Câmara de Lobos, Funchal e Ribeira Brava, com base nos casos por 100 mil habitantes e numa contabilidade dos últimos 14 dias, entre 19 de dezembro a 1 de janeiro.

Hoje, dia em que o presidente da Câmara do Funchal reuniu o Serviço Municipal de Proteção Civil, recomendando medidas concretas aos Governos, da República e Regional, pedindo também a intervenção do Representante neste processo mediador, houve uma alteração precisamente relacionada com o concelho do Funchal, que passou a ser, com os dados de hoje e com base nos últimos 14 dias (20/12 a 2/01), o concelho da Madeira com o risco mais elevado, passando Câmara de Lobos per capita. O Funchal tem 308 casos e Câmara de Lobos 303. Ribeira Brava tem 273. Seguem-se Santa Cruz, Porto Santo e Machico. Santana baixou significativamente.

Este domingo, o Governo vai reunir para avaliar a situação e para ver que medidas vai tomar a seguir à "Festa". No fundo, o que vai fazer a seguir, se vai "apertar" o cerco, ou mandar fazer cerca, para continuar a dizer que está tudo controlado e que não há transmissão comunitária, mas apenas local. Até quando isso vai acontecer, ninguém sabe. Nem o próprio Governo Regional, que obviamente estará a fazer tudo para retardar a transmissão comunitária, que na prática significa perda de controlo. Mesmo que seja dificil, neste contexto, que todos os contactos, de todos os infetados, tenham sido rigorosamente detetados.

O Governo vai reunir, também, com os presidentes de Câmara, dos concelhos que já passaram o risco elevado, no caso Miguel Gouveia, Pedro Coelho e Ricardo Nascimento. Um bom indicador, relativamente ao que se espera de concertação e articulação institucional. Agora, mais do que nunca, mesmo que estejamos em ano de eleições autárquicas e em vésperas de presidenciais, é preciso unir esforços, entre os eleitos, ainda que de cores diferentes, no sentido de ser transmitida a mensagem daquilo que realmente preocupa os políticos, se o o povo se o voto. Este é um momento chave para que Governos e Câmaras possam sentar-se e definir estratégias sem pensar em votos por interesse partidário que em nada vão contribuir para as soluções que as pessoas precisam. Este voto, agora, é outro. É um voto de confiança, que se dá a quem manda. E que se exige, a quem manda, que saiba honrar esse voto com firmeza.

A população exige união num momento destes. Para falar a sério e decidir a sério. Nem que seja só pela Covid-19. As eleições logo se vê. Podem esperar.


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