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Urgências em "sofrimento" atendem em "plateia": então, diga lá...

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
17 de abr. de 2022
3 min de leitura

Os profissionais de saúde, desde médicos, enfermeiros e assistentes operacionais assumem, a maioria, uma paciência infinita e um profissionalismo inquestionável.




Que o Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça está em "sofrimento" é uma questão mais ou menos conhecida. Há "picos" mais problemáticos e a afluência daquilo que chamam "falsas urgências" também não ajuda, apesar de ainda não sabermos muito bem esse conceito de "falsas urgências" atribuído a utentes que recorrem ao serviço precisamente porque não sabem o que têm, apenas o que sentem, e só poderão saber se é ou não uma falsa urgência quando alguém dessa Urgência, um médico de preferência, fizer o seu diagnóstico autorizado. Se fosse para fazer uma casa, iam ao arquiteto, ao contrutor ou ao pedreiro. Como é de saúde, vão onde podem, no caso às Urgências. Retiram-se daqui os casos de manifesta irresponsabilidade individual ou coletiva, relacionada com agressões ou comas alcoólicos, estes sim com verdadeira configuração de urgência, não falsa, mas evitável pelo menos.

Que houve doentes nos corredores, com ordem de internamento, mas não existiam camas nos respetivos serviços, é um tema real trazido em tempo útil pelo próprio diretor clínico, que levou a tutela política a encontrar soluções, ainda que de forma parcial, numa situação também relacionada com os casos de pessoas com alta clínica mas que permanecem ocupando camas do hospital. Entra a falta de soluções, mas entra acima de tudo a insensibilidade de muitas famílias que ali abandonam os seus idosos e raramente são penalizados por isso.

Todas estas situações, na parte e no todo, transformam o serviço de urgência num local de intenso "trânsito", com períodos altos e baixos, mas na generalidade com "lotação esgotada". De todas as idades e feitios, envolvendo extremos com os quais os profissionais da unidade hospitalar têm que lidar diariamente com a maior paciência do mundo. E fazem-no bem, pelo menos nos momentos em que a observação permite avaliar nas diferentes componentes da operação.

O Serviço está verdadeiramente esgotado e a situação só é nova para quem vai ali esporadicamente, uma vez que os agentes de saúde estão habituados a estas condições sendo obrigados a um redobrar de esforços no sentido de tratar cada doente com a dignidade que merece, mesmo que algumas situações ocorram de forma pouco aconselhável para que essa garantia esteja plenamente alcançada.

Entre muitos elogios que se possam fazer aos profissionais de saúde, desde médicos, enfermeiros e assistentes operacionais, que assumem, a maioria, uma paciência infinita e profissionalismo inquestionável, existem alguns aspetos que uma observação atenta permite reconhecer como pouco recomendáveis, ainda que fruto da elevada procura que, a dado momento, não permite distinguir, já na fase pós triagem, o que é a reavaliação sobre as queixas do utente e o posterior tratamento. A avaliação está preparada para ser feita em atendimento separado, e bem, precisamente para que os doentes possam expor o que sentem e revelem situações de saúde que só deveriam ser partilhadas pelos próprios agentes de saúde e não por outros utentes. Chamar utentes para a sala de tratamento, género sala de espera, e ter atendimento por parte do médico a saber o que se passa, em forma de plateia, não parece adequado do ponto de vista da privacidade sobre qualquer aspeto particular de saúde. Mas é o que acontece, com frequência e em muitos casos, admite-se que por falta de salas de atendimento prévio ou para melhor operacionalização sobretudo quando a afluência é maior. O que não significa que seja correto.

Outro aspeto que poderia ser melhor articulado prende-se com as mudanças de turno, onde não raras vezes a transmissão de quadro clínico ocorre com algumas omissões que, mesmo não sendo comprometedoras, configuram alguma falta de rigor, que se entende pelo volume e diversidade do serviço, mas que constitui uma situação de desconforto para o utente. Não sendo regra, que certamente não é, constitui aspeto menos positivo sem colocar em causa o serviço.

Claro que o novo Hospital será um oásis, em espaço e em condições para os profissionais. E para os utentes. Sobretudo mantendo o bom profissionalismo com os bons hábitos.


 
 
 

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