Ventura dá um "Chega" a Rui Rio: "Ouve bem, PSD..."

Ventura não acha que este resultado de ontem seja resultado do acaso, por isso já fez "peito cheio" para Rui Rio

Estou convencido que os portugueses votaram em André Ventura por protesto e pelo discurso que é fácil de capitalizar apoios, um discurso de radicalização, daquele que normalmente qualquer português faz nas conversas de café, mas que depois pensa um bocadinho e respira fundo três vezes, já mais democraticamente. Daquele que fazemos sempre que a polícia dá porrada, e é uma coisa, e sempre que a polícia leva porrada, e já é outra. Para protestar, sim. Para governar, não. Isto é o que se pensa, hoje, a prova dos nove será em próximas eleições, quando for para decidir governos.
Acho que o Chega até ganhou mais votos por defender a polícia do que propriamente pelo discurso exageradamente extremado, apesar de apelativo para o protesto cego, puro e duro. Aconteceu pelo mundo, é normal nas crises e nas falhas de lideranças e de alternativas. As pessoas sentem-se inseguras, a justiça funciona mal, o povo está farto de conversa e um povo farto vai ao extremo e abandona qualquer fidelidade ideológica, como se vê no Alentejo, onde a votação tradicional, de extrema esquerda, do PCP, passou para votação significativa de extrema direita. Um "fartote" a olhos vistos. Compreende-se, mas tem um significado, para o povo e para os partidos ditos tradicionais.
Tem tudo o que atrás se disse e tem isto: "PSD, ouve bem, não haverá governo sem a participação do Chega". A frase de Ventura tem muito mais do que diz, Ventura não acha que este resultado de ontem seja resultado do acaso, por isso já fez "peito cheio" para Rui Rio, naquela de lembrar que o acordo dos Açores pode ser transposto para o resto do País, o que parece não ter provocado entusiasmo a Rio, que fez questão de salvaguardar que venceu um homem do centro, moderado, nem de direita nem de esquerda.
O problema é se o protesto do povo é como um tiro que sai pela culatra e o que queria ser presidente dos portugueses de bem, não força outra dimensão. Será que alguém pensa nisso?



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