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À mesa da tradição

Foto do escritor: Henrique Correia
Henrique Correia
23 de dez. de 2020
3 min de leitura

"Tem de acontecer, porque tem de ser

e o que tem de ser tem muita força

E sei que vai ser, porque tem de ser

Se é pra acontecer, pois, que seja agora"


- Retirado da canção "Seja Agora", dos Deolinda



Foto DN Funchal


Claro que este Natal é diferente. Muito diferente. O ano vai terminar com novas palavras que passaram a nos acompanhar no dia a dia, como Covid-19, pandemia, novo normal, recomendações, estado de emergência, entre outras que, invariavelmente, vão dar ao mesmo, um ano atípico, para ser vivido de forma atípica. Fazer mais com menos, como aconselha o Governo Regional. E com muitas recomendações, como manda a prudência e a responsabilidade que é mais fácil de pedir do que praticar.

Vem tudo isto a propósito de uma imagem que o DN Funchal colocou a circular, de um "repasto" dos membros do Governo Regional, no Mercado, como manda a tradição de todos os anos, a 23 de dezembro, haver encontro de Governo, que sai da Quinta Vigia, ainda de fato e gravata, não todos, Calado veio à "desportiva", para descer à cidade e assentar arraiais para a carne de vinha d'alhos, uma ou outra cerveja. A tradição pode não ser o que era, mas como diz o grupo Deolinda, "se é para acontecer, pois, que seja agora", desde que se diga que se está a cumprir a tradição. Mais ou menos. Mais metro, menos metro, ninguém no seu perfeito juízo vai andar a medir os governantes a dedo. A olho, não está bem dois metros, nem metro e meio, só medindo. Às tantas, ficou assim memo.

Miguel Albuquerque, em declarações publicadas no Facebook do Governo: "Este ano as pessoas devem tomar todas as precauções, para evitar contágios. Os próprios convívios, exorta, devem ser com os familiares de casa.

O presidente do Governo Regional visitou, esta manhã, o Mercado dos Lavradores, acompanhado pelo seu Governo, todos com o devido distanciamento uns dos outros, conforme fez questão de enaltecer, aos jornalistas.

«Este ano não há noite do mercado, como toda a gente sabe. Viemos aqui cumprir uma tradição dos meus governos e comer uma sande de carne de vinho e alhos, mas com o devido distanciamento. Este ano terá de ser assim», explicou".

Ora bem, no resto da visita pelo Funchal, com máscara, como pudemos ver, tudo bem, tudo normal, neste novo normal, mas dentro do que está correto e correspondendo ao princípio de que quem aconselha deve dar o exemplo. O problema foi mesmo esta imagem à mesa, que o Governo não publicou, e que contraria, coisa pouca, estes conselhos todos.

Não devemos, a bem da verdade, entrar em exageros e extremismos de avaliação. Fundamentalismos, não. Mas neste caso, não é bem isso. Neste caso, é mesmo o contrário das diretrizes que foram recomendadas à população. Uma mesa com dez pessoas, de diferentes núcleos familiares - julgo que o núcleo do Governo não conta como da mesma família.

A não ser que a população não esteja a fazer bem as contas. Mesa com cinco pessoas, mas cinco de um lado e cinco do outro. Pode ser que seja assim. E assim, já podemos fazer uma Consoada em condições, com as mesmas recomendações, com o mesmo número, também mantendo a tradição. É verdade que as famílias não vão estar assim pouco tempo, haverá mais álcool, mais festa, mas mesmo assim é preciso não dar indicações que possam, de alguma forma, induzir em erro o que está escrito nas resoluções. E esta, que se saiba, ao contrário do que já aconteceu com outras, ainda não foi retificada.

O grupo Deolinda é que tem razão: "Tem de acontecer, porque tem de ser

e o que tem de ser tem muita força".

Agora, a sério: façam o Natal com contenção, só com o núcleo familiar que vive na residência, mantenham as recomendações, sejam responsáveis e ajudem as autoridades e os Governos nas medidas que eles fazem. Mesmo que possam ter algumas dúvidas sobre alguns "desvios" pelo meio.

Feliz Natal a todos


 
 
 

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