É preciso articulação de posições para tirar o Marítimo do fundo

Atualizado: 7 de set. de 2022
É preciso segurar os melhores ativos para haver trabalho e ambição, porque para ter duas equipas no último lugar, na I e na II Ligas, não será preciso uma grande gestão. Vão ao trabalho em vez de tanta conversa...

Acho que neste momento é prematuro falar em demissões no universo Marítimo, sobretudo com um corpo dirigente que foi eleito há pouco tempo e que resultou da vontade expressa dos associados para uma mudança de rumo, obviamente não este que a equipa de futebol está a registar num desastroso arranque da I Liga. Mas demissões, neste momento, julgo eu, seria contraproducente. Agora, que é preciso colocar ordem na casa, lá isso é preciso e urgentemente, além de que a administração da SAD e o presidente do clube, Rui Fontes, não podem dar a ideia, sistematicamente, que anda cada um para o seu lado e que não sabem nada do que está a acontecer.
Não interessa muito, aqui, a esfera de competências de cada um, interessa é que a administração da Marítimo Futebol SAD entenda que deve articular posições com o líder, no fundo com quem dá a cara, a primeira imagem do Marítimo. E se calhar, face a esta falta de entendimento, até se começa a perceber a utilidade do presidente da SAD ser o presidente do clube. Não é, em si, um processo fechado, suscita obviamente muitas discussões ecabordagens, mas é pelo menos uma solução que concentra pontos convergentes nesta comunicação pública, que tem falhado redondamente, dando azo a que se questione estes novos dirigentes que tanto se queixavam da prepotência de Carlos Pereira. Claro que a prepotência e o excesso de poder são factores negativos, mas "democracia" a mais, se juntarmos alguma falta de sensibilidade, pode ser mau na mesma.
Claro que a convocatória da Assembleia Geral de Accionistas, publicada em dia de jogo importante, veio agravar a desestabilização, não era preciso mais este passo em falso, isto insere-se na tal falta de senso de quem dirige e de quem pensa o clube avulso. O Marítimo não pode continuar assim, quem está deve fazer uma auto avaliação e mudar o que for preciso mudar, contratando com uma boa combinação qualidade/preço, com a escolha criteriosa do técnico, para não se chegar à conclusão que há verbas desbaratadas sem critério e isso o Governo também deve ter algo a dizer enquanto accionista da SAD.
A Assembleia Geral do dia 10 de outubro tem duas partes e as convocatórias já estão publicadas em Jornal Oficial da Região. Uma convocatória para as 18:30 horas no
Complexo Desportivo do Marítimo, situado à Rua Campo do Marítimo, em Santo António, para deliberar sobre o relatório de gestão, balanço e contas relativo à época desportiva de 2021/2022 e respetivo parecer do Conselho Fiscal. A segunda convocatória, para as 19 horas, tem a ver com a destituição da atual administração da SAD, com a indicação de José Augusto Araújo para o lugar de Rui Fontes como presidente da Assembleia-Geral, sendo que Fontes vai liderar a Sociedade Anónima Desportiva mas mantendo os atuais elementos. Não sei se será possível a falar tanto mal deles, mas os entendimentos são sempre positivos. Não há estratégias milagrosas, a melhor estratégia é a que resulta. Se resultar...
O importante é resolver este problema para que seja mais valia a continuidade do apoio do Governo. Como em tudo, e quase tudo na Madeira depende do Governo, os dinheiros públicos devem ser bem aplicados, sabendo-se que nem sempre isso acontece por falta de escrutínio rigoroso daquilo que é dado. O futebol é igual. É preciso segurar os melhores ativos para haver trabalho e ambição, porque para ter duas equipas no último lugar, na I e na II Ligas, não será preciso uma grande gestão.
Vão ao trabalho em vez de tanta conversa...



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