É preciso defender o setor dos táxis mas é importante o tema concorrência

É preciso refletirmos no equilíbrio: não deixar cair o que está e viabilizar a concorrência. Até para o que está se "mexer"...

O anúncio da saída da Uber do mercado madeirense, independentemente dos contornos, transporta-nos para alguma necessidade de reflexão sobre a prestação de serviços, num mercado pequeno, como reconhecidamente é o nosso, onde é importante defender o equilíbrio entre um bom serviço e um serviço bom, conscientes da importância de salvaguardar quem já opera no espaço, mas criando sempre condições para que a concorrência proporcione o crescimento qualitativo dos respetivos serviços.
E bem sabemos que os monopólios não são propriamente propensos a uma melhor combinação qualidade/preço que a concorrência sempre pode viabilizar, com reflexos positivos para o consumidor.
Sabemos que o Governo teve a preocupação, também pressionado pelo contexto pandémico, que agravou o serviço de táxi em função dos confinamento, de preparar uma adaptação da lei por forma a permitir uma coexistência entre o serviço de táxi e o conhecido por serviço Uber, mantendo a abertura do mercado com uma malha muito apertada. No fundo, para não impedir a entrada desse serviço na Região, adaptou a lei de tal forma que praticamente era um convite duplo, de entrada e de saída, deixando 40 viaturas no mercado com 4 por operador, o que na prática é meio caminho para a inviabilização do projeto. Mas pronto, fez alguma coisa.
Claro que no atual contexto, com a saturação do mercado de táxi que já vinha do período antes da pandemia, agravado pela circunstância de, neste momento, os empresários e motoristas de táxi estarem a viver o pior período das suas vidas, muitos parados dias inteiros na praça sem qualquer serviço e com despesas correntes, torna-se muito complicado defender a entrada de concorrência no mercado, que ainda vem absorver parte do pouco serviço que existe.
Mas é importante não perder o discernimento da análise e perceber que a modernidade da Madeira, a internacionalização, o turismo, numa Região que deve estar virada para o exterior, também deve proporcionar a possibilidade de concorrência e não pode ter uma convulsão cada vez que há um concorrente novo. E bem estamos recordados dos longos anos em que a Madeira esteve privada do serviço de grandes superfícies do ramo alimentar só para impedir uma maior concorrência, que hoje é normal e convive bem com os pequenos supermercados, até melhorou os serviços e a qualidade destes. Até porque os consumidores também ganharam novos hábitos e exigências.
É igual no serviço de táxi. Deve ser defendido, muitas famílias dependem desse rendimento, mas é preciso que essa defesa comece pelos próprios empresários, que durante anos, estando sós no mercado, não todos felizmente, mas alguns, cristalizaram no tempo, no contacto com o cliente, na indisposição indisfarçável nos pequenos percursos, nos euros a mais para o turismo, ao ponto de abrirem as portas a um qualquer serviço Uber, que por exemplo em Lisboa, já é utilizado largamente, até por muitos madeirenses, com segurança de poucos enganos e muito mais acessível em termos de custos.
É preciso refletirmos no equilíbrio: não deixar cair o que está e viabilizar a concorrência. Até para o que está se "mexer"...



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