É preciso explicar o que faz o "bloom" e alertar para os perigos, não é esconder...
- Henrique Correia

- 2 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
Há um problema de bloom na Madeira? Há. Pois bem, concentremos esforços, uma espécie de "pacto de regime", sem visões partidárias que toldam raciocínios, no sentido de garantir uma intervenção global

Imagem CMTV
Entre outros aspetos que retive da reportagem da CMTV sobre o consumo de drogas sintéticas, um foi que a Madeira é a Região do País onde há mais incidência, outro foi um depoimento de quem está consciente, apesar de tudo, dos perigos das alucinações, das noites e dos dias sem dormir, da degradação humana, de jovens sem rumo e de um negócio de lucro fácil que se compra por alguns euros pela net e que se vende por milhares ao vivo.
Não sou particularmente fã da CMTV, mas não tenho reservas mentais nem sofro do síndrome político partidário onde a filosofia é que tudo é mau no partido que dos outros. A CMTV tem, às vezes, muitas vezes, pertinentes e importantes reportagens de investigação, é preciso dar mérito a isso. Foi o caso. Não é que não se saiba que acontece a por acaso a RTP Madeira também fez recentemente um trabalho igualmente meritório, mas vendo e ouvindo depoimentos dramáticos e o sobretudo mostrando as partes mais sensíveis do Funchal para o mundo deixa, assim, uma marca de alerta mais vincada.
Esse depoimento toca num ponto fundamental. É importante explicar os perigos deste novo consumo, alertar para as consequências, mostrar o problema, não é esconder. E aqui é que toca na questão fulcral, é importante reconhecer o problema, não é desvalorizar e varrer o problema para debaixo do tapete, que é cada vez maior e com mais gente levada pela vida que leva e pelo negócio que por aí vai nesta cidade que se quer segura mas que não passa a segura só porque se repete muitas vezes.
Há um problema de bloom na Madeira? Há. Pois bem, concentremos esforços, uma espécie de "pacto de regime", sem visões partidárias que toldam raciocínios, no sentido de garantir uma intervenção global de várias entidades e "ataque feroz" ao negócio. Se assim não for, vamos continuar a assistir a episódios na via pública, com perigo para pessoas e bens, onde os consumos levam aos comportamentos e os comportamentos levam ao medo e a insegurança, como já se vê.
Não podemos esperar mais por soluções. Isto é para ontem porque amanhã pode ser tarde...



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