top of page

Padre José Luís: a culpa não é do turismo; ninguém fiscaliza nada

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 6 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

"Há a mania de atirar as culpas dos nossos erros para os outros que não têm culpa nenhuma".




O padre Luís Rodrigues tem sido uma voz crítica relativamente a questões estruturais da Região, incluindo a religiosa, com posições públicas incómodas mas reconhecidas como sendo demonstrativas de uma visão objetiva da Região, hoje.

O sacerdote surge com uma leitura diferente sobre o aumento do turismo na Madeira relativamente a posições assumidas pelo padre Manuel Martins, que também se pronunciou sobre o assunto colocando o fico na "invasão" desregulada enquanto o padre José Luís Rodrigues desresponsabiliza os turistas e aponta culpas à falta de resposta das entidades públicas, de previsão e fiscalização, e à pressão dos grandes grupos económicos.

Para José Luís Rodrigues, são excessivas frases como "turismo de massas"; "turistas de mochila às costas"; "turismo pobre"; "turismo que vem com os cêntimos contados" … "Enfim, quando se quer desqualificar pessoas e realidades, pode faltar lucidez e bom senso, mas termos é que não faltam de certeza".

O ex-pároco de São Roque, que o povo gostava e bispo transferiu, aponta que

"neste tempo perigoso onde a aversão ao outro, por ser diferente tem tomado laivos de racismo e xenofobia, urge fazer aqui um ponto de ordem sobre o turismo, que me faça distanciar desta mania de atirar as culpas dos nossos erros para os outros que não têm culpa nenhuma.

A nossa terra é de todos os que nela habitam, mas também passa a ser de quem a escolhe para viver porque assume todos os direitos e deveres que isso implica. Mas, também passa a ser de quem a escolhe para descansar, passear e apreciar em gozo retemperador todas as maravilhas que a criação colocou na ilha da Madeira".

Os verdadeiros problemas da Madeira não são turismo. O turismo é o nosso bem. Não vejo que estejamos preparados e com vontade de voltar à terra, cultivar semilhas e couves para comer com carne de porco gorda o ano inteiro.

O grande problema da Madeira é ter sido sempre privatizada por grupos, grandes grupos económicos que fizeram do povo um meio e não um fim em si mesmo. Daí todos os atentados cometidos contra a dignidade do nosso povo, a natureza esventrada e o melhor que a Madeira tem sido dominado por meia dúzia de privilegiados que sempre fizeram o que entenderam com o afago dos poderes estabelecidos".

O padre José Luís Rodrigues elenca dois problemas: um é o desgoverno geral que sempre nos assistiu, a incompetência perante os desafios novos que a mobilidade humana sempre oferece. Ninguém fiscaliza nada. Uns podem tudo e os pobres não podem nada. Os governantes limitam-se a ler estatísticas e a lançarem foguetes ao desempenho dos poderosos. Mas governar a sério, estabelecer regras razoáveis e fiscalizar levadas e miradouros nada, entre outras coisas que andam por aí mergulhadas no oceano da anarquia. O outro problema é que quem delapida e esventra o ambiente na Madeira não é o turismo, mas os grandes grupos económicos colados ao poder político, para fazerem loucuras como a Marina do Lugar de Baixo, o rebentar com paisagens icónicas como a Ponta do Pargo para um campo de golfe gigantesco, a paisagem dos Curral da Freiras com fios e máquinas a subir e descer sobre a beleza da paisagem, a nossa orla marítima quase toda privatizada para fazer edifícios enormes que destoam a paisagem…"

A Madeira está feia em vários lugares não por culpa do turismo, que é para o sustento da Madeira uma mais valia, mas por culpa da ganância e de preferências de amizades suspeitas que alimentam privilégios e fortunas, que só Deus sabe como foram conseguidas...Nós agradecemos muito a preferência dos turistas pela Madeira e pedimos desculpa se não temos sido capazes de governar a ilha como deve ser perante este novo desafio".


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Madeira ponto logo.png
© Designed by Teresa Correia
bottom of page